vitorluizmiranda

Estava saindo com uma garota
formada em letras.
Gosto delas!
Elas lêem meus textos
e ficam corrigindo minha gramática.
Eu falo palavras bonitas e elas se derretem,
afinal de contas elas gostam de letras.

Transamos e ela foi usar meu banheiro.
Fiquei pelado na cama observando seu corpo nu
caminhar e sua bunda rebolar.

Coloquei um disco do Tchaikovsky na vitrola
e voltei para a cama enquanto ouvia ela usar a torneirinha.
Havia gozado dentro dela.
Adoro gozar dentro delas!

Ela voltou e se deitou nua ao meu lado na cama,
apoiou sua cabeça em meu peito
e eu acariciei seus cabelos embaraçados.
Ficamos ali escutando Tchaikovsky.

Instantes depois ela perguntou:
“Você está lendo aquele livro do Bukowski?”
“Leio quando estou cagando” eu respondi
e continuei “não sou muito de poesia
mas tem umas coisas interessantes ali”.
Ela disse que não gostou muito
e eu perguntei por qual motivo.
“Ah não tem métrica aquilo”
“Quem foi que disse que tem que haver métrica?”
“Meu professor. Eu tive aula de métrica”
“Acadêmicos… coitado de vocês.” eu disse.

Estava eu, junto de um amigo, tomando uma cerveja no bar, comendo um espetinho de coração mergulhado numa farofa e discursando sobre o grande problema de minha vida: as mulheres. Não existe algo mais clichê para dois sujeitos fazerem no bar. Marcelo Rubens Paiva que nos diga.
Lá fora já estava escuro e ficávamos olhando mulheres bem afeiçoadas que saiam da academia de pilates em frente ao bar enquanto a gente fumava uns cigarrinhos.
Pedimos mais uma gelada. Nisso entra no bar um rapaz que manobra os carros da academia de pilates: “atearam fogo numa BMW ali na rua. Está pegando fogo.”
Ninguém entendeu nada e ele explicou: “um bêbado parou e tocou fogo numa BMW”. Quatro jovens da mesa ao lado levantaram imediatamente e saíram correndo. Eu, curioso que sou atrás de uma história, corri atrás deles.
E não é que estava pegando fogo mesmo a BMW? A grade de plástico da frente do carro estava em chamas e o fogo já alcançava o capô. O jovem, proprietário do carro, tentava desesperadamente apagar o fogo com sapatadas. Ao lado do carro, jogado na sarjeta, um mendigão que não queria esmola e era o principal suspeito do incêndio ficava ali observando tudo com seus olhos tristes. Fiquei ali observando sua tristeza e tentando entender sua atitude enquanto o rapaz se dividia em apagar o fogo e xingar a mendicância. Eis que surge um rapaz com um extintor de incêndio com carga de pó ABC. Usaram ele contra o fogo o apagando e deixando o parabrisa todo branco. Nesse instante o estrago já era grande e o rapaz gritava inconformado “porra o carro já estava vendido!” e continuava a xingar o mendigo embriagado. Andou pra lá e pra cá pensando, enfim parou em frente ao dingo e desferiu um pontapé no crânio. Pegou em cheio! O mendigo nem fez menção de dor, apenas pendeu a cabeça para o lado com o impacto do chute e ficou com ela apoiada no muro de uma casa. Uma vez ouvi uma senhora dizer “essas pessoas só não se matam porque é pecado e elas iriam para o inferno pois não aguentam mais a vida”.
Talvez seja esse o motivo do incêndio, o mendigo queria que alguém o matasse, ou talvez só estava muito bêbado. Fiquei com dó dele, mas talvez tivesse lhe desferido um chute também se fosse no meu carro. O fato é que esse momento me pôs a pensar sobre o desnível social: um homem de 40 anos que não tem um teto ateou fogo num carro importado de um jovem de 20 e poucos anos que custa o valor de uma casa. Até que tem uma certa graça nessa desgraça.
Voltei pro bar, pedi mais uma cerveja e perguntei ao meu amigo “Seguro cobre se um mendigo atear fogo no meu carro?”. Ele não soube responder.
Nas periferias os incêndios são em favelas e na burguesia são em carros importados, mas tem coisas que só acontece na porta de um bar.

Eu amo São Paulo, cara. Geralmente comemoramos conquistas e aniversários de pessoas que a gente ama, pois o verdadeiro amigo é aquele que está junto nos melhores momentos de nossas vidas. Pois a inveja é foda. Não culpo os invejosos, pois pode acontecer desse sentimento me acometer um dia como já acometeu em dias anteriores. Mas não vou comemorar o aniversário de São Paulo esse ano. Pois é um aniversário triste. Ano passado eu comemorei o dia 25 de janeiro fotografando uma manifestação. Dessa vez ficarei trabalhando em casa pois não há manifestações, apenas shows para formalizar a velha política do pão e circo. Também não culpo ninguém por querer o circo, pois eu já quis muito circo nessa vida. Infelizmente não dá pra fugir com esse circo. Esse circo não nos libertará de uma pequena cidade, e sim nos aprisionará cada vez mais nas profundezas desse mar de solidão. Então foda-se São Paulo, eu te amo! Qualquer dia organizo uma festa de aniversário surpresa pra você…

Esse foi um dos piores absurdos – e olha que eu já vi alguns – em manifestações aqui na cidade de São Paulo.
Quando percebi a gritaria, olhei e vi dois rapazes desesperados carregando a menina desacordada nos braços. Alguns fotógrafos e videomakers correndo atrás deles. Resolvi correr também. Liguei minha câmera e fui filmando e nisso que ia filmando me surgiu um pensamento… “Porra eu virei um rato da imprensa!”.
Continuei filmando, não podia perder a notícia. Os rapazes carregavam a menina em direção a algumas viaturas estacionadas que estavam fora da zona de risco onde estava havendo o confronto entre polícia e manifestantes.
Três ou quatro policiais correram na direção deles e os barraram. Gritavam “NÃO VAI PASSAR!”. Os rapazes gritavam por ajuda. A menina não gritava nada, seu corpo apenas balançava de acordo com os passos largos e desesperados dos dois rapazes e sua cabeça estava caída para trás. Eu também não gritava, apenas filmava.
Os policiais e os rapazes discutiam aos gritos enquanto sons de bombas e rojões faziam a trilha sonora “desse cinema sem tela que passa na cidade” enquanto eu registrava tudo para um cinema com tela que passará no seu computador ou smartphone.
De repente um dos policiais deu um empurrão neles, outro sacou do spray de pimenta e deu uma sprayzada em direção aos rapazes e também na menina que já estava desfalecida nos braços deles. Sobrou para nós, ratos da imprensa, mas ainda bem que filmamos isso.
Saí correndo, minha câmera captando imagens totalmente tremidas e minha garganta fechando. Deu uma vontade da porra de vomitar. Dei duas ameaçadas, mas me segurei. Odeio vomitar. Até agora não sei se era por causa do gás de pimenta ou por causa da nossa polícia militar. Se eu sou um rato, eles são uns vermes. E ainda dizem que a polícia serve para preservar a segurança da população. Quase trinta anos depois, Tony Bellotto continua tendo razão em sua questão: “Polícia para que precisa?!”

Cheguei ali ao Santo Beco Bar do meu amigo Gilson Mota, mais conhecido como Chocolate. Ele me convidou para fazer uma leitura do meu livro Num Mar de Solidão. Estava acompanhado pelo meu irmão Diego Chilio e sua namorada Júlia Ramiro Belintani. Nos preparamos para a leitura bebendo cerveja, comendo McDonald’s e tomando um banho de piscina.
Sentamos à mesa num canto do bar. Tirei minha jaqueta de couro e fiquei apenas com minha camiseta Wicanz, minha calça preta e meu par de botinas que lembram o Tap e o Flap do Castelo Rá-Tim-Bum. Pedimos uma cerveja e uma porção de isca de frango empenado para a bela garçonete Erica Tais. Peguei meu cantil dentro de um compartimento secreto de minha jaqueta. Abri e dei um belo gole no Jack Daniel’s Tennessee Whiskey que estava ali dentro.
Havia um motoqueiro sentado a uma mesa junto de sua esposa. Ele vestia um desses coletes dos Abutres ou qualquer outro grupo de motociclistas. Observei sua moto enquanto fumava um cigarro na porta do bar. Nunca gostei de andar de moto, mas sempre sonhei em ter uma Harley-Davidson.
Havia mais algumas outras pessoas no bar. O tempo estava ruim e o bar não estava cheio. A chuva começou a cair forte. Acho que foi pela presença dos meus “cumpadis” que acabavam de entrar pela porta do bar:Wicanz Nem e Angélica Kaori. Inclusive meu cumpadi vai fechar o braço com uma tatuagem. Vai fazer um maori com K em homenagem a sua amada.
Enquanto eu colava no balcão pra bater um papo com meu amigo Chocolate, pois escritores malditos bebem no balcão conversando com o dono do bar. Ele me pediu uma indicação de música pra ele colocar enquanto a leitura não começava e eu propus L.A. Woman do The Doors, a minha banda preferida.
Enquanto rolava o som do Doors e eu bebia meu whisky no cantil, entrava pela porta uma beleza da natureza: Byanca Lanza acompanhada de uma amiga pintora. Duas lindas jovenzinhas. Fumei um cigarro com elas do lado de fora do bar.
Nesse instante chegava meu amigo e parceiro, Alessandro Silva. Na noite passada ensaiamos uma leitura acompanhada por violão. Ele é um exímio violonista. Nós somos do Jaguaré. Modesta parte, existe alguns bons artistas nesse lugar.
Arrumamos nossas coisas num canto do bar. Caixa de som (emprestada por nosso amigo e parceiro Diny Souza Mareados), violão e microfone. Testamos o som e decidimos começar. Jim Morrison saiu de cena para dar a oportunidade a Vitor Miranda. Quando eu era mais novo e estava numa onda psicodélica, se é que vocês me entendem, eu dizia que era a reencarnação dele. Besteira minha, mas isso me incentivou a fazer alguma arte e comecei a estudar cinema para terminar o sonho não realizado dele. Já deixei essa onda psicodélica, mas continuo na arte.
Comecei lendo o conto “Um casal de morcedos” que falava sobre a eterna espera da mulher pelo amadurecimento do seu homem. Acho que minha comadre Angélica Kaori gostou desse.
Em seguida li “Status, Baby” que contava uma história sobre um cara fugindo das pessoas que só querem status. Em todo lugar que ele ia encontrava pessoas em busca disso. No fim só lhe sobrou um lugar: um quarto de motel com uma prostituta.
Logo após convidei meu amigo Diego Chilio para ler o conto Pise Fundo Meu Irmão. Esse conto virou um curta-metragem e ele foi o protagonista. Ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Peruíbe por esse trabalho. Enquanto ele lia, eu bebia meu whisky e observava um cara que passava pela rua e parou ali ao lado de fora próximo a grade do bar e ficou vidrado na leitura. Esse cara era o Ortega, guitarrista da bandaPavilhão 9.
Eu voltei ao banco para ler mais um conto. Estava pegando leve demais. Havia lido um conto sobre amor, um sobre status social e o Diego leu o conto mais triste sobre um drama familiar. Resolvi testar o pudor das pessoas que estavam ali. Li o conto “O casal de mendigos”. Contava sobre um dia de trabalho humilhante numa expedição e terminava com uma descrição detalhada de um sexo oral dentro do cinema. Acho que eu peguei pesado.
Dei um intervalo e meu Alessandro Silva soltou sua voz no melhor estilo um banquinho e um violão. Mandou clássicos da MPB. A cada música as pessoas aplaudiam. Eu aproveitava pra conversar com umas pessoas ali, outras aqui e roubar um copo de cerveja de cada mesa.
Voltei ali pra cadeira. A beleza natural e sua amiga foram embora. Li um conto chamado “Uma carta de amor escrita na capa de um disco” que falava sobre amor. Li mais um conto sórdido que falava sobre travestis, umbanda e libertinagem. Chegava ao bar um casal de estranhos. Sentaram à mesa em frente a minha pessoa. Eles ouviam atentamente. Pareciam gostar e eu me senti mais confiante. Não sei se por causa deles ou do meu cantil que chegava ao fim. Na mesa do lado chegava minha amigas Erica Andrade, a melhor copilota de viagens de verão apesar de bater sujeira com o meu rock and roll. E a musa do forró, a bela Ana Oliveira. Reli um conto que já havia lido em homenagem a Ana. Ela já havia lido meu livro e gostava do conto “uma carta de amor escrita na capa de um disco”. Pior que eu escrevi essa carta na capa de um disco mesmo. Acho que era muito amor que eu sentia na época pois era uma raridade. Um disco do Geraldo Vandré com a versão ao vivo da música Pra não Dizer que não Falei das Flores no Festival Internacional da Canção de 1968.
O casal Erik Furlan Naves e Priscila Gonçalves também chegaram para ouvir os últimos contos e eu já estava embriagado. Pedi silêncio e discursei um pouco sobre o meu amor a Osasco e depois li um conto que falava um pouco mal da cidade. “Mãe! Eu to vivo!” era o nome do conto. Nesse conto eu falava que me masturbava pensando na Xuxa quando eu era pivete. Ortega deu muita risada disso. Perguntei se ele já tinha feito isso e ele disse: “Olha, eu não lembro, mas devo ter feito” e dava risada.
A noite chegou ao fim e uma morena muito simpática que estava lá comprou meu livro e eu assinei. Ela era prima do meu amigo Chocolate. Alguns amigos pediram o livro de presente. Acho que eles esquecem que esse é meu trabalho, mas tudo bem. Prefiro morrer de fome enquanto sou lido pelas pessoas. Mas a cerveja e o cigarro estão caros e eu preciso de dinheiro pra alimentar meus vícios. Acho que vou começar a trocar livros por sexo. Enfim, foi um tanto interessante ler pra vocês.

Cheguei ali na Rua Adolfo Gordo, Barra Funda. Fui ver uma peça de teatro de uma Escola. Odeio peças de escolas, são sempre uma merda! Mas eu amava minha querida amiga que seria a protagonista do espetáculo.

Cheguei meia hora antes. Parei meu carro no estacionamento que se localiza um quarteirão antes do teatro. Tive de deixar a chave com o manobrista. Odeio ter que deixar a chave com eles. Sempre lembro dos manobristas do filme “Curtindo a Vida Adoidado”. Tá certo que meu carro não é nenhuma Ferrari. Está bem longe disso, mas ainda sim é o meu carro e os manobristas são uns filhos da puta que querem curtir com o carro dos outros. Bom, antes meu carro na mão de um manobrista filho da puta do que nas ruas escuras da Barra Funda sujeito a qualquer nóia filha da puta querendo roubar qualquer coisa que seja útil para trocar por uma pedrinha de crack. Não que eu possua algo que valha a sensação dos efeitos colaterais do uso do crack, mas meu pai não usa crack e ele adora o CD do Rolling Stones que eu peguei para ouvir no carro. Às vezes alguns amigos entram no meu carro e dizem: “Porra você é o único cara que eu conheço que anda com CD no carro hoje em dia”. Eu falo “tu não conhece meu pai então”. E meu pai tem um ciúmes possessivo dos seus CDs. Até hoje ele reclama de um CD dele do The Doors que sumiu há mais de 5 anos. Já ouvi ele xingando vários manobristas de filhos da puta pensando que foi um deles que roubou. Eu sempre fiquei na minha deixando os pobres dos manobristas com a culpa. Mas na real o CD foi roubado junto com o meu som, a jaqueta de couro de um amigo meu e uma mochila cheio de livros com textos de teatro grego que estavam dentro do meu carro enquanto eu trepava com uma morena muito gostava aqui na Barra Funda.

Nunca gostei da Barra Funda, mas não foi somente por causa do CD do meu pai. Foi também por causa de um pai de uma amiga minha. Lá pelos meus 17 anos fui ao aniversário dessa amiga minha do colégio. Numa rua escura da Barra Funda foi onde aconteceu a comemoração do aniversário dela, na casa de seu pai. Lá pelas altas horas de uma madrugada sombria eu já estava bem embriagado, sentado no meu cantinho esperando a hora do trem passar para ir embora, foi quando minha querida amiga resolveu sentar no meu colo.

“Ô ALEMÃO! VEM AQUI ALEMÃO!” do lado de fora da casa um sujeito mau encarado, magrelo com a barba por fazer e alguns dentes da boca faltando começou a me chamar de Alemão em alto e bom som. De alemão eu virei albino de tão branco que fiquei de medo. Minha amiga dizia “ele está brincando”. Eu não conseguia falar, só me levantei tremendo e caminhando a passos curtos e trêmulos cheguei a calçada. O pessoal do colégio que já sabia de fama de mal do cara olhava paralisada a situação. Uns crioulos que no começo da festa faziam um samba olhavam para a minha face e davam risada. “VOCÊ TEM FÉ ALEMÃO?”. Em poucos milésimos de segundo que eu tinha para responder, já frente a frente com o sujeito, tentava pensar no que era melhor responder, se eu tinha ou não fé. Concluí rapidamente que era mais oportuno responder que sim, que eu tinha fé, mesmo sendo um jovem sem fé. Respondi que sim. Então ele olhou para a churrasqueira e puxou meu braço com violência: “SE VOCÊ TEM FÉ, ENTÃO VAI PEGAR NA BRASA”. A brasa dos carvões nunca estiveram tão vermelha. Minha amiga dizia para o pai parar com aquilo e ele dizia pra ela ficar quieta e eu murmurava para mim mesmo “eu não vou pegar não, senhor”. “EU NÃO TO ENTENDENDO”. Respondi a frase murmurando um pouquinho menos baixo. “PEGA NA BRASA ALEMÃO“. Eu em choque já estava quase chorando. Já nem ouvia mais som nenhum das risadas dos crioulos do samba, nem os comentários do pessoal do colégio, nem a minha amiga pedindo para o pai parar com aquilo. Se aquilo durasse mais uns 5 segundos eu mijaria nas calças… “TO ZUANDO ALEMÃO” e o sujeito começou a gargalhar. Todos riam da minha cara e eu dava uma risadinha para não deixa-los sem graça, mas estava morrendo de vontade de ir ao reservado. Nessa noite antes de ir embora ainda fui obrigado a ver o revolver do sujeito que dizia ter um revolver do tamanho do meu braço. E também me mostrou o vazio de seus dentes inexistentes no fundo de sua boca “Tá vendo esses dentes aqui? Perdi na cadeia. Eu vivo do crime malandro.” Fui embora dali e nunca mais voltei. Nem tenho mais amizade com a filha do sujeito. Soube no ano seguinte que o pai dela agrediu um cara no outro aniversário dela que eu deixei de ir, claro. Grudou o cara na porta de um bar e começou a esmurra-lo enquanto a porta do bar ressoava o barulho dos impactos de seus murros na face do cara. Dizem que até rolou uns tiros mais tarde, mas ninguém viu.

Anos depois lá estava eu caminhando por uma rua escura da Barra Funda e me lembrando da ocasião, mas logo avistei o prédio do teatro que iluminava uma boa parte da calçada, aonde havia algumas garotas bonitas, inclusive uma ruivinha com cara de sapeca que comprava pipoca com o pipoqueiro que sempre encontro na frente de vários teatros. Talvez ele tenha irmãos gêmeos e já ganhou dinheiro suficiente para abrir uma rede de carrinhos de pipoca para estar em vários lugares ao mesmo tempo.

Comprei meu ingresso e fiquei ali na calçada admirando a ruivinha sapeca comer sua pipoca. Ainda faltava meia hora para o início do espetáculo. Avistei um boteco do outro lado da rua. Um desses botecos sujos frequentado pelos piores sujeitos, digno de minha pessoa. Então atravessei a rua e saí da parte iluminada pelo prédio do teatro. Dei a volta pela frente de um carro estacionado, passei por dois sujeitos que discutiam na frente do bar. Peguei a conversa no meio, mas também dei de ombros para o que estavam discutindo. Estava mesmo preocupado em tomar uma cerveja, fumar um cigarro e me preparar psicologicamente para assistir a uma peça de teatro escolar de merda. Ou talvez preparar algum papo furado para caçar assunto com a ruivinha.

“Me vê um Marlboro Light e uma Heineken Long Neck”. A moça que estava dentro do balcão foi buscar a cerveja na geladeira e me trouxe “maço ou box?”. Respondi que eu queria maço. “Quanto fica?”. Deu R$ 13,75. A cerveja e o cigarro estão muito caros hoje em dia e o meu ritual está ficando cada vez mais difícil de ser realizado. O alcoolismo, o tabagismo e a escrita. Escritores malditos deveriam ganhar um Bolsa Cigarro e um Bolsa Cerveja. Paguei com uma nota de vinte e ela me deu o troco. Coloquei as moedas no bolso e guardava a nota de cinco reais na carteira quando a moça se abaixou atrás do balcão gritando “AÍ MEU DEUS!”.

“PÁ PÁ PÁ PÁ PÁ” cinco estalos secos. Inconfundíveis para quem cresceu no Jaguaré. Pulei por cima do balcão e caí violentamente para o outro lado. Na calçada em frente ao bar um dos sujeitos que discutiam estava largado no chão todo ensanguentado. O outro correu até a esquina, prendeu o revolver na cintura da calça na parte posterior e jogou a camiseta por cima. Chegando na esquina diminuiu o ritmo e foi caminhando pela outra rua como se nada tivesse acontecido. A moça se levantou e saiu de trás do balcão. Me levantei, ainda por de trás do balcão, e avistei o sujeito largado no chão. Minha cerveja havia sobrevivido ao meu salto e aos tiros e se encontrava ali geladinha em cima do balcão. Abri ela e dei longo gole. Um rapaz que estava no bar usava o celular para chamar a ambulância. Uma senhora passava as mãos pelos cabelos, olhava para o sujeito ensanguentado e chorava. Na rua um transeunte que só queria assistir a peça escolar de merda de algum amigo que ele amava mancava com a perna sangrando após levar um tiro de bala perdida. A vizinha que estava passando pela rua ligava para a polícia. O pessoal que veio assistir as peças de teatro se tornaram um bando de curiosos do outro lado da rua assistindo àquilo como se fosse uma cena de um espetáculo e fazendo comentários, caras de horror, alguns até faziam piadinhas de humor negro. E foi ali com eles que eu me juntei com medo de que rolasse mais alguma coisa naquele bar, e fiquei ali do outro lado da rua observando o que seria provavelmente os últimos suspiros de um homem. E pensando como é incrível qualquer um andar armado nesse país que proíbe o uso de armas. E como de costume pensei num filme. Poderia ser “Tiros na Broadway” do Woody Allen já que estávamos na frente de um teatro. Mas eu pensava em “Tiros em Columbine” do Michael Moore que compara as violências de países com políticas de armas de fogo semelhantes. Do por que o Canadá ter uma baixa taxa de crimes cometidos por armas de fogo e os Estados Unidos ter uma taxa altíssima. E o meu pensamento me trouxe para um âmbito nacional. Por que o Brasil é tão violento? Por causa de seu passado de exploração europeia? Por causa da violência dos europeus contra os índios e os escravos? Por causa do racismo? Ditadura? Militarização da polícia? Desnível social? Tráfico de drogas e armas e tantas outras coisas? Corrupção? Talvez seja o Datena e o Marcelo Rezende. Mas realmente eu acho que nunca vou encontrar a resposta. Talvez a resposta esteja no interior do ser humano. Animais movidos por instintos selvagens mesmo vivendo num mundo construído pela genialidade de seres humanos que racionalizavam além da conta.
E foi bem triste ficar ali observando o desespero corporal daquele ser humano que estrebuchava e emitia grunhidos como se fosse um porco no abatedouro após ser atingido por um dito ser humano. Não sabia se o seu desespero era tamanho para que aquilo terminasse em morte logo e cessasse a sua dor, ou para que a emergência chegasse e o salvasse para prolongar a sua vida e conseguir se vingar do sujeito que o baleou. O ser humano é vingativo. “Não é nada pessoal, são apenas negócios” é a frase mais irônica do cinema, e está justo num filme que retrata uma das entidades mais violentas que já existiu. A Cosa Nostra. Talvez o charme de Marlon Brando e Al Pacino pode transformar a família Corleone de O Poderoso Chefão em personagens cultuados pelos fãs, mas eles não passam de retratos de seres humanos violentos que comandavam a Máfia nos Estados Unidos.

Enfim, após longos 20 minutos desesperadores chega a ambulância. Já está na hora de começar os espetáculos. Um rapaz ao meu lado diz “essa é a melhor parte!”. Os enfermeiros do SAMU descem com a maca e a colocam ao lado do sujeito que ainda respira. Eles desdobram uma espécie de plástico laminado. “Vixi tiraram o plástico. Virou presunto.” Diz um outro cara. “Coitado” lamenta uma senhora que parece uma mãe que veio ver a filha que sonha ser atriz. Mas o plástico laminado é só um procedimento do atendimento. Não sei o porque disso, mas posicionaram o sujeito em cima do plástico e o ergueram colocando-o em cima da maca. Levantaram a maca e a arrastaram em direção a ambulância. “Será que ele vai sobreviver?” questiona a garotinha ruiva que ainda come a sua pipoca. “Acho que ele perdeu muito sangue” diz um senhor de idade.

O corpo do sujeito vem balançando por causa do desnível do asfalto em que as rodinhas da maca transitam. A porta da ambulância está aberta. Os rapazes erguem as pernas da maca. O corpo do sujeito balança. A última imagem que eu tive desse sujeito foi sua cabeça caindo para o lado esquerdo em minha direção. Os olhos virados. Um olhar sem vida.

Meu cigarro vai ao chão. Eu piso nele, dou um último gole para matar a minha cerveja. Caminho até a barraca do pipoqueiro e jogo a garrafa em seu saco de lixo. Entro no teatro. Todos entram em suas peças e sentam em suas cadeiras como se nada tivesse acontecido. Veem seus amigos, seus irmãos e irmãs, seus filhos, netos, representarem. No meu caso vejo minha amiga representar um texto trágico de Nelson Rodrigues que se acaba em morte. Pouco presto atenção pois ainda carrego aquele olhar morto em meu pensamento. As peças terminam. As famílias e os amigos abraçam seus atores preferidos, os estudantes de teatro sorriem felizes com o carinho recebido, o pipoqueiro vende mais pipoca e eu continuo ali admirando a bela ruivinha com cara de sapeca. A vida segue para alguns, para outros nem tanto.

“Te deixo na esquina de novo hoje?”. “Você não quer entrar?” ela perguntou. “A gente está brincando de “é só perguntas”?”. Ela deu risada. Era Marisa, minha amiga do teatro. A gente flertou no primeiro dia de aula e fui obrigado a lhe dar uma carona e descobri que ela morava com o namorado. “Pô entra aí. Vamos fumar um. Vai colar umas amigas minhas de Ribeirão”. Ela era de Ribeirão Preto e veio pra São Paulo estudar teatro. Quanto mais fui estudando teatro, mais fui descobrindo que muita gente vem de Ribeirão Preto estudar teatro em São Paulo. E descobri que muitos Ribeirão-Pretanos não batem bem das idéias.

“Cara, mas e seu namorado? Você não disse que ele ficou com ciúmes de mim?”.

“Esquece isso. Ele é um sujeito legal. Vocês vão se dar bem”. Marisa era extremamente envolvente e conseguia me convencer a entrar em muitas furadas. Sempre tem uma pessoa dessas cruzando nossos caminhos e sempre tem os otários que caem nessa. “Tá… mas essas suas amigas são bonitas?” perguntei. “São lindas! Você vai adorar elas!”.

Entrei, e de fato o namorado dela era um bom sujeito. Compreendo o lado dele pois eu também não confiaria num sujeito desconhecido dando carona para a minha garota. Ainda mais se esse sujeito fosse eu. Se eu fosse o meu melhor amigo eu não deixaria a minha mulher pegar carona comigo. Aliás, muitos me comparam ao Bukowski, mas não é pela escrita e sim por eu ser um jovem tarado.

Ricardo era um sujeito calmo, bem tranquilo e fumava uma maconha de excelente qualidade. Marisa abriu um vinho e bebemos no gargalo. Quando suas amigas chegaram eu já estava bem chapado, mas não tanto para não perceber na mais nova furada que estava entrando. Como diria o pai de Hank Moody: “A vida é muito curta para dançar com gordas”.

Uma delas até que era bonitinha apesar do peso. Loirinha, gordinha, estilozinha com sotaque do interior. A outra já estava num estado de obesidade mórbida, mas também tinha estilo. Cantava Janis Joplin pra valer e me comia com os olhos. Eu por um lado tentava não ser comido pela Janis obesa que vestia um casaco de couro de lagartixa. Já a gordinha se mantinha na dela, tinha um papo bacana e era um tanto distraída. Gosto de mulheres distraídas, ainda mais quando elas estão chapadas.

Estava com excesso de líquido no organismo “Onde fica o toilet, por obiséquio?”. Às vezes eu tentava falar difícil quando estava bêbado. Marisinha já estava acostumada e me apontou a direção do banheiro. Ainda ouvi a gordinha dizendo “como ele é educadinho” antes de eu entrar no reservado.

Tranquei a porta e dei uma longa mijada enquanto assoviada de tanto alívio. Reparei na calcinha de Marisa pendurada no banho box. Saculejei meu pênis murcho e antes de guarda-lo, peguei a calcinha de Marisa e dei uma cafungada. Sentia o cheiro de sua boceta. Outro dia entrei numa discussão na mesa do bar sobre usar a expressão boceta ou vagina. O cabra dizia que vagina é bem mais bonita. “Pode ser mais bonita, mas nada iguala a sonoridade da palavra bo-ce-ta. Ainda mais se ela vier acompanhada da palavra ‘cabeluda’. Mas o Tom Zé poderia explicar isso melhor.”. Mas essa discussão já perdura anos pois me lembro de uma cena que fizeram no curso de teatro que havia uma discussão sobre isso. Mas eu estava mais preocupado com a boceta de Marisa, uma bela morena, alta e que me contava seus segredos sexuais. Eu estava era doido pra comer essa mulher. Mas agora conheci o filho da puta do namorado dela e o sujeito é chapa quente, buena onda, gente boa mesmo. Não é justo comer a mulher de um cara bacana. Então coloquei a calcinha de volta em seu lugar, guardei meu pau, já em estado meia bomba, dentro da calça e lavei as mãos. Ao abrir a porta do banheiro dei de cara com a gordinha chapada. Ela deu um belo sorriso. Não resisto a belos sorrisos. Tasquei-lhe um beijo!

Ela não entendeu nada, mas acho que gostou pois esboçou um sorriso assustado e entrou ao banheiro. Eu gostei também. Foi um beijo gostoso. Segui pro lado de fora da casa, aonde estávamos bebendo e lá estava Janis cantarolando “Mercedes Benz” sozinha. Uma gorda sozinha no canto de uma casa velha, com uma garrafa de vinho na mão, cantarolando Janis Joplin é a visão mais solitária que eu poderia ter naquela noite. Ficaria sensibilizado se não fosse os 120 quilos.

“E aí” disse ela. Eu busquei um cigarro no meu maço e o acendi perguntando aonde estava Marisa e Ricardo. Eles tinham ido pro quarto transar, informou Janis. O clima ficou esquisito e comecei a torcer para Ricardão sofrer de ejaculação precoce. “Eu queria dar pra você!” disse ela. Engoli a seco, dei uma longa tragada, uma tossidinha seca e disse “Pode crê”.
Ela ficou olhando pra minha cara enquanto eu observava uma garoa fina cair nas roupas do varal. “E aí?” repetiu ela. Comecei a gaguejar. Como dizer para uma mulher que você não quer transar com ela simplesmente por ela pesar 120 quilos. De cada lado.

“É que que, eu… eu beijei a sua amiga no caminho do banheiro. Seria… seria uma situação indelicada. Vamos deixar pra próxima…”. Ela ainda me comia com os olhos, quando minha gordinha chapada voltou. Agarrei ela e a beijei. Não conseguia abraça-la totalmente, mas já era melhor que a Janis, que acendeu um cigarro e deu uma profunda tragada, e soltou a fumaça num longo assopro. Se juntou a sonoridade do assopro, os gemidos de Marisinha, o que me deu tesão. Meu pau já ficava meia bomba quando “Eu quero transar”. Amoleceu de novo e eu aproveitei para propor uma saída estratégica: “Vamos embora daqui?”. Minha gordinha deu a ideia de irmos para a casa dela. Olhei para Janis que arregalou os olhos e quase que eu disse não, mas de qualquer forma teria que dar carona pra elas. “Vamos descolar um vinho nessa cozinha!” disse eu. Ia ter que me embriagar naquela noite. Descolei uma garrafa e meia na geladeira. Odeio quem coloca o vinho na geladeira, mas Marisinha só tomava vinho vagabundo, então não faria muita diferença estar gelado ou quente.

Entramos no carro com as duas garrafas. A chuva apertava um pouquinho e meu limpador de para-brisa seguia sem funcionar. As duas reclamavam da falta do limpador do para-brisa e do rádio quebrado. Mas ainda assim Janis continuava querendo transar comigo: “Eu quero dar pra você”. Dessa vez eu ri pois minha gordinha estava junto e achei engraçado ela ser mais direta agora do que das outras vezes. A gordinha também riu. Comecei a contar sobre o dia em que o som do carro quebrou… que não é uma história muito interessante para ser contada aqui.

Chegamos em frente ao prédio da gordinha. Era na divisa entre São Paulo e Osasco. Do lado da fronteira osasquense, claro. Pois se fosse do lado de cá seriam duas gostozinhas e não me dariam bola. Enquanto fechava o carro com o botão do alarme, que ainda funcionava, perguntei se ela morava sozinha. Disse que morava com um amigo que estava viajando e talvez não voltasse. “E se ele não voltar eu vou morar com ela” completou Janis. Entramos pela portaria e fiquei um pouco envergonhado por o porteiro me ver entrar com duas gordas. Mas como não era o porteiro do meu prédio, então foda-se.

No elevador ainda tinha câmera para registrar esse fato. Tentei ficar de cabeça baixa para não ser reconhecido no vídeo, mas tive de levanta-la quando ouvi a voz sexy de Janis dizendo: “Eu quero dar pra você”.

Minha gordinha sorriu com o canto da boca, parecendo não entender a tara da amiga. Eu por minha vez comecei a falar sobre olhares de elevador: “Hoje o professor estava falando que a gente estava com olhar de elevador em cena. Sabe essa parada de olhar pra todos os lugares possíveis, mas nunca para a pessoa estranha que está dentro do elevador contigo?”. E fiz meu olhar de elevador evitando o contato direto com os olhos de Janis Mórbida.

Sentamos no sofá e bebemos vinho pra cacete. Nos beijamos, eu e a gordinha, enquanto Janis ia ao banheiro. Elas eram bem inteligentes, e tinham vindo de Ribeirão para estudar teatro em São Paulo. Era uma noite muito divertida, fora vez ou outra que nosso papo era interrompido por “Quero trepar contigo!” vindo da Janis. Mas ela cantava demais! Qualquer noite iria achar um cabra com fetiche em gordas pra foder ela. Não eu. Não gosto de gordas.

“Vou ao banheiro” disse minha gordinha. E se foi deixando eu e Janis frente a frente num duelo. Mexi numas almofadas, acendi um cigarro, tomei um gole do vinho… mas não deu tempo de enrolar até a gordinha sair do banheiro. “Tá, beleza. Você venceu”. Abri a braguilha de minha calça e já excitado com a situação constrangedora, disse “chupa aí vai!”. Ela se ajoelhou em frente ao sofá, beijou a cabeça do meu pau e me deu uma olhar bem safado. Dei uma tragada e um gole no vinho. E ela começou a fazer o melhor sexo oral que já recebi na minha vida. E olha que já recebi vários. Mas nenhuma bela mulher consegue se comparar a ela. Janis sabia o que fazer com a boca num microfone.

A gordinha voltou do banheiro e ficou parada na entrada da sala olhando aquilo completamente embasbacada. Permaneceu ali uns dez segundos sem entender o que estava acontecendo. Eu olhava pra ela e ria feito uma criança, pois aquilo era pior que droga. E continuei gargalhando pra gordinha quando ela riu desacreditada e sumiu pelo corredor do apartamento.

“Ohh ohh ohh” gozei! O meu prazer era enorme, ainda mais porque ela engoliu meus espermatozoides. Adoro quando as mulheres fazem isso. Afinal de contas são vidas precisando de abrigo.

Eu me contorcia de prazer feito um folião que acabara de baforar um lança perfume. Estava com um sorriso de orelha a orelha. Quando voltei a realidade, dei um gole do vinho e olhei pra cara dela que estava toda orgulhosa com o serviço prestado. Sorriu pra mim e perguntou: “E agora?”. Até pensei em comer ela, mas pensei no que a gordinha estava pensando no quarto “agora eu vou ir dormir com a sua amiga”.
Vi a fúria em seus olhos, que agora pareciam querer me comer feito um caníbal, mas me levantei rapidamente sem fechar as calças, joguei a bituca acesa dentro da garrafa que ainda tinha um pouco de vinho e segui pelo corredor. Abri a porta do quarto errado primeiro, depois achei ela dormindo num colchão de casal jogado no chão no outro dormitório. Adoro esse pessoal que vem na loucura pra São Paulo. Eles só consumem necessidades, nada de luxo, e fode-se a cama. O barato mesmo é colchão no chão. Digo “barato” nos dois sentidos da expressão.

Tirei minha roupa, ficando só de cueca preta. Uma vez numa filosofia de bar ouvi um bêbado falando “Eu só uso cueca preta, pois a gota do mijo e aquele peidinho que borra se perdem no escuro da cor”. Achei que fazia sentido e fez, pois minha mãe vivia reclamando das minhas cuecas sujas, porém depois que troquei das brancas para as pretas tudo mudou. O que deveria mudar de verdade era quem lava as minhas cuecas. Talvez se eu lavasse minhas próprias cuecas eu fosse um cara um pouco mais maduro e deixasse de suja-las. Mas eu ainda estava procurando uma mulher que topasse lavar as minhas cuecas. Afinal de contas eu gosto dessa infantilidade toda.

Me deitei ao lado da gordinha e a abracei. Ela não apresentou nenhum sinal de rejeição. Ao contrário, ainda pegou meu braço e o ajeitou no seu corpo esférico. Ela estava de blusinha e um short bem curtinho. Acho que eu gostei de abraça-la pois meu pau começou a ficar rijo. Era difícil eu me animar tão rapidamente após ejacular. Ainda mais gozando pra valer. Mas foi ficando duro e eu comecei a cutuca-la. Apertei a sua barriga enchendo a minha mão de gordura. Gosto de apertar barrigas. Começamos a nos movimentar. Nos roçamos, agarrei seus cabelos e beijei a sua nuca. Ela então virou pra mim e nos beijamos. Me lembrei de como foi gostoso beija-la na porta do banheiro após cafungar a calcinha de Marisa. Enfiei minha mão dentro do short dela e percebi a falta de roupa íntima. Toquei a sua buceta gorda e encharquei minha mão. A vida sexual de uma pessoa gorda não deve ser fácil, por isso elas não devem perder oportunidades com frescuras psicológicas sexuais e já vão ficando logo molhadas para evitar dificuldades. Assim como o pau de um gordo tarado deve subir bem mais rápido que o meu quando ele tem uma possibilidade de molhar o biscoito. A não ser que a saúde atrapalhe a sua ereção.

Arranquei seu short e me enfiei entre suas pernas roliças. Saquei o pau mais duro do que nunca e penetrei na vagina da gordinha. Mais uma baforada no lança perfume. Estava em estado de êxtase. Fui ao espaço passear pelo universo e voltei, mas foi na velocidade da luz. “Oh oh oh” gozei! Eu nunca tinha sentido tanto prazer em penetrar alguém que acabei sofrendo uma ejaculação precoce. “Ops” disse eu. “Mas já?” perguntou ela. Me desculpei com tamanha vergonha. “É que a sensação foi tão boa que eu não consegui controlar”. Ela esboçou um sorriso, mas continuou brava e eu envergonhado.

Ela dormiu e eu fiquei ali acordado pensando na vida. Como posso chamar uma mulher esculpida na academia de gostosa se duas gordas puderam me dar imenso prazer? Bem mais prazer do que algumas belas garotas que descolei por aí. Talvez o mundo esteja deturpado em relação a isso. As gordinhas são deliciosas!

Frequentei esse apartamento por um longo tempo. O amigo não voltou, Janis alugou o outro quarto e fiquei por ali transitando de quarto em quarto tendo as noites de sexo mais maravilhosas da minha vida. Noites que viravam dias. Além do sexo, minha gordinha lavava minhas cuecas e cozinhava pra gente, Janis cantava e comprava vinhos vagabundos pra bebermos. E eu bebia e escrevia contos para elas. O melhor deles se chamava “A vida é muito curta para não dançar com gordas”.

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