vitorluizmiranda

Cheguei ali na Rua Adolfo Gordo, Barra Funda. Fui ver uma peça de teatro de uma Escola. Odeio peças de escolas, são sempre uma merda! Mas eu amava minha querida amiga que seria a protagonista do espetáculo.

Cheguei meia hora antes. Parei meu carro no estacionamento que se localiza um quarteirão antes do teatro. Tive de deixar a chave com o manobrista. Odeio ter que deixar a chave com eles. Sempre lembro dos manobristas do filme “Curtindo a Vida Adoidado”. Tá certo que meu carro não é nenhuma Ferrari. Está bem longe disso, mas ainda sim é o meu carro e os manobristas são uns filhos da puta que querem curtir com o carro dos outros. Bom, antes meu carro na mão de um manobrista filho da puta do que nas ruas escuras da Barra Funda sujeito a qualquer nóia filha da puta querendo roubar qualquer coisa que seja útil para trocar por uma pedrinha de crack. Não que eu possua algo que valha a sensação dos efeitos colaterais do uso do crack, mas meu pai não usa crack e ele adora o CD do Rolling Stones que eu peguei para ouvir no carro. Às vezes alguns amigos entram no meu carro e dizem: “Porra você é o único cara que eu conheço que anda com CD no carro hoje em dia”. Eu falo “tu não conhece meu pai então”. E meu pai tem um ciúmes possessivo dos seus CDs. Até hoje ele reclama de um CD dele do The Doors que sumiu há mais de 5 anos. Já ouvi ele xingando vários manobristas de filhos da puta pensando que foi um deles que roubou. Eu sempre fiquei na minha deixando os pobres dos manobristas com a culpa. Mas na real o CD foi roubado junto com o meu som, a jaqueta de couro de um amigo meu e uma mochila cheio de livros com textos de teatro grego que estavam dentro do meu carro enquanto eu trepava com uma morena muito gostava aqui na Barra Funda.

Nunca gostei da Barra Funda, mas não foi somente por causa do CD do meu pai. Foi também por causa de um pai de uma amiga minha. Lá pelos meus 17 anos fui ao aniversário dessa amiga minha do colégio. Numa rua escura da Barra Funda foi onde aconteceu a comemoração do aniversário dela, na casa de seu pai. Lá pelas altas horas de uma madrugada sombria eu já estava bem embriagado, sentado no meu cantinho esperando a hora do trem passar para ir embora, foi quando minha querida amiga resolveu sentar no meu colo.

“Ô ALEMÃO! VEM AQUI ALEMÃO!” do lado de fora da casa um sujeito mau encarado, magrelo com a barba por fazer e alguns dentes da boca faltando começou a me chamar de Alemão em alto e bom som. De alemão eu virei albino de tão branco que fiquei de medo. Minha amiga dizia “ele está brincando”. Eu não conseguia falar, só me levantei tremendo e caminhando a passos curtos e trêmulos cheguei a calçada. O pessoal do colégio que já sabia de fama de mal do cara olhava paralisada a situação. Uns crioulos que no começo da festa faziam um samba olhavam para a minha face e davam risada. “VOCÊ TEM FÉ ALEMÃO?”. Em poucos milésimos de segundo que eu tinha para responder, já frente a frente com o sujeito, tentava pensar no que era melhor responder, se eu tinha ou não fé. Concluí rapidamente que era mais oportuno responder que sim, que eu tinha fé, mesmo sendo um jovem sem fé. Respondi que sim. Então ele olhou para a churrasqueira e puxou meu braço com violência: “SE VOCÊ TEM FÉ, ENTÃO VAI PEGAR NA BRASA”. A brasa dos carvões nunca estiveram tão vermelha. Minha amiga dizia para o pai parar com aquilo e ele dizia pra ela ficar quieta e eu murmurava para mim mesmo “eu não vou pegar não, senhor”. “EU NÃO TO ENTENDENDO”. Respondi a frase murmurando um pouquinho menos baixo. “PEGA NA BRASA ALEMÃO“. Eu em choque já estava quase chorando. Já nem ouvia mais som nenhum das risadas dos crioulos do samba, nem os comentários do pessoal do colégio, nem a minha amiga pedindo para o pai parar com aquilo. Se aquilo durasse mais uns 5 segundos eu mijaria nas calças… “TO ZUANDO ALEMÃO” e o sujeito começou a gargalhar. Todos riam da minha cara e eu dava uma risadinha para não deixa-los sem graça, mas estava morrendo de vontade de ir ao reservado. Nessa noite antes de ir embora ainda fui obrigado a ver o revolver do sujeito que dizia ter um revolver do tamanho do meu braço. E também me mostrou o vazio de seus dentes inexistentes no fundo de sua boca “Tá vendo esses dentes aqui? Perdi na cadeia. Eu vivo do crime malandro.” Fui embora dali e nunca mais voltei. Nem tenho mais amizade com a filha do sujeito. Soube no ano seguinte que o pai dela agrediu um cara no outro aniversário dela que eu deixei de ir, claro. Grudou o cara na porta de um bar e começou a esmurra-lo enquanto a porta do bar ressoava o barulho dos impactos de seus murros na face do cara. Dizem que até rolou uns tiros mais tarde, mas ninguém viu.

Anos depois lá estava eu caminhando por uma rua escura da Barra Funda e me lembrando da ocasião, mas logo avistei o prédio do teatro que iluminava uma boa parte da calçada, aonde havia algumas garotas bonitas, inclusive uma ruivinha com cara de sapeca que comprava pipoca com o pipoqueiro que sempre encontro na frente de vários teatros. Talvez ele tenha irmãos gêmeos e já ganhou dinheiro suficiente para abrir uma rede de carrinhos de pipoca para estar em vários lugares ao mesmo tempo.

Comprei meu ingresso e fiquei ali na calçada admirando a ruivinha sapeca comer sua pipoca. Ainda faltava meia hora para o início do espetáculo. Avistei um boteco do outro lado da rua. Um desses botecos sujos frequentado pelos piores sujeitos, digno de minha pessoa. Então atravessei a rua e saí da parte iluminada pelo prédio do teatro. Dei a volta pela frente de um carro estacionado, passei por dois sujeitos que discutiam na frente do bar. Peguei a conversa no meio, mas também dei de ombros para o que estavam discutindo. Estava mesmo preocupado em tomar uma cerveja, fumar um cigarro e me preparar psicologicamente para assistir a uma peça de teatro escolar de merda. Ou talvez preparar algum papo furado para caçar assunto com a ruivinha.

“Me vê um Marlboro Light e uma Heineken Long Neck”. A moça que estava dentro do balcão foi buscar a cerveja na geladeira e me trouxe “maço ou box?”. Respondi que eu queria maço. “Quanto fica?”. Deu R$ 13,75. A cerveja e o cigarro estão muito caros hoje em dia e o meu ritual está ficando cada vez mais difícil de ser realizado. O alcoolismo, o tabagismo e a escrita. Escritores malditos deveriam ganhar um Bolsa Cigarro e um Bolsa Cerveja. Paguei com uma nota de vinte e ela me deu o troco. Coloquei as moedas no bolso e guardava a nota de cinco reais na carteira quando a moça se abaixou atrás do balcão gritando “AÍ MEU DEUS!”.

“PÁ PÁ PÁ PÁ PÁ” cinco estalos secos. Inconfundíveis para quem cresceu no Jaguaré. Pulei por cima do balcão e caí violentamente para o outro lado. Na calçada em frente ao bar um dos sujeitos que discutiam estava largado no chão todo ensanguentado. O outro correu até a esquina, prendeu o revolver na cintura da calça na parte posterior e jogou a camiseta por cima. Chegando na esquina diminuiu o ritmo e foi caminhando pela outra rua como se nada tivesse acontecido. A moça se levantou e saiu de trás do balcão. Me levantei, ainda por de trás do balcão, e avistei o sujeito largado no chão. Minha cerveja havia sobrevivido ao meu salto e aos tiros e se encontrava ali geladinha em cima do balcão. Abri ela e dei longo gole. Um rapaz que estava no bar usava o celular para chamar a ambulância. Uma senhora passava as mãos pelos cabelos, olhava para o sujeito ensanguentado e chorava. Na rua um transeunte que só queria assistir a peça escolar de merda de algum amigo que ele amava mancava com a perna sangrando após levar um tiro de bala perdida. A vizinha que estava passando pela rua ligava para a polícia. O pessoal que veio assistir as peças de teatro se tornaram um bando de curiosos do outro lado da rua assistindo àquilo como se fosse uma cena de um espetáculo e fazendo comentários, caras de horror, alguns até faziam piadinhas de humor negro. E foi ali com eles que eu me juntei com medo de que rolasse mais alguma coisa naquele bar, e fiquei ali do outro lado da rua observando o que seria provavelmente os últimos suspiros de um homem. E pensando como é incrível qualquer um andar armado nesse país que proíbe o uso de armas. E como de costume pensei num filme. Poderia ser “Tiros na Broadway” do Woody Allen já que estávamos na frente de um teatro. Mas eu pensava em “Tiros em Columbine” do Michael Moore que compara as violências de países com políticas de armas de fogo semelhantes. Do por que o Canadá ter uma baixa taxa de crimes cometidos por armas de fogo e os Estados Unidos ter uma taxa altíssima. E o meu pensamento me trouxe para um âmbito nacional. Por que o Brasil é tão violento? Por causa de seu passado de exploração europeia? Por causa da violência dos europeus contra os índios e os escravos? Por causa do racismo? Ditadura? Militarização da polícia? Desnível social? Tráfico de drogas e armas e tantas outras coisas? Corrupção? Talvez seja o Datena e o Marcelo Rezende. Mas realmente eu acho que nunca vou encontrar a resposta. Talvez a resposta esteja no interior do ser humano. Animais movidos por instintos selvagens mesmo vivendo num mundo construído pela genialidade de seres humanos que racionalizavam além da conta.
E foi bem triste ficar ali observando o desespero corporal daquele ser humano que estrebuchava e emitia grunhidos como se fosse um porco no abatedouro após ser atingido por um dito ser humano. Não sabia se o seu desespero era tamanho para que aquilo terminasse em morte logo e cessasse a sua dor, ou para que a emergência chegasse e o salvasse para prolongar a sua vida e conseguir se vingar do sujeito que o baleou. O ser humano é vingativo. “Não é nada pessoal, são apenas negócios” é a frase mais irônica do cinema, e está justo num filme que retrata uma das entidades mais violentas que já existiu. A Cosa Nostra. Talvez o charme de Marlon Brando e Al Pacino pode transformar a família Corleone de O Poderoso Chefão em personagens cultuados pelos fãs, mas eles não passam de retratos de seres humanos violentos que comandavam a Máfia nos Estados Unidos.

Enfim, após longos 20 minutos desesperadores chega a ambulância. Já está na hora de começar os espetáculos. Um rapaz ao meu lado diz “essa é a melhor parte!”. Os enfermeiros do SAMU descem com a maca e a colocam ao lado do sujeito que ainda respira. Eles desdobram uma espécie de plástico laminado. “Vixi tiraram o plástico. Virou presunto.” Diz um outro cara. “Coitado” lamenta uma senhora que parece uma mãe que veio ver a filha que sonha ser atriz. Mas o plástico laminado é só um procedimento do atendimento. Não sei o porque disso, mas posicionaram o sujeito em cima do plástico e o ergueram colocando-o em cima da maca. Levantaram a maca e a arrastaram em direção a ambulância. “Será que ele vai sobreviver?” questiona a garotinha ruiva que ainda come a sua pipoca. “Acho que ele perdeu muito sangue” diz um senhor de idade.

O corpo do sujeito vem balançando por causa do desnível do asfalto em que as rodinhas da maca transitam. A porta da ambulância está aberta. Os rapazes erguem as pernas da maca. O corpo do sujeito balança. A última imagem que eu tive desse sujeito foi sua cabeça caindo para o lado esquerdo em minha direção. Os olhos virados. Um olhar sem vida.

Meu cigarro vai ao chão. Eu piso nele, dou um último gole para matar a minha cerveja. Caminho até a barraca do pipoqueiro e jogo a garrafa em seu saco de lixo. Entro no teatro. Todos entram em suas peças e sentam em suas cadeiras como se nada tivesse acontecido. Veem seus amigos, seus irmãos e irmãs, seus filhos, netos, representarem. No meu caso vejo minha amiga representar um texto trágico de Nelson Rodrigues que se acaba em morte. Pouco presto atenção pois ainda carrego aquele olhar morto em meu pensamento. As peças terminam. As famílias e os amigos abraçam seus atores preferidos, os estudantes de teatro sorriem felizes com o carinho recebido, o pipoqueiro vende mais pipoca e eu continuo ali admirando a bela ruivinha com cara de sapeca. A vida segue para alguns, para outros nem tanto.

“Te deixo na esquina de novo hoje?”. “Você não quer entrar?” ela perguntou. “A gente está brincando de “é só perguntas”?”. Ela deu risada. Era Marisa, minha amiga do teatro. A gente flertou no primeiro dia de aula e fui obrigado a lhe dar uma carona e descobri que ela morava com o namorado. “Pô entra aí. Vamos fumar um. Vai colar umas amigas minhas de Ribeirão”. Ela era de Ribeirão Preto e veio pra São Paulo estudar teatro. Quanto mais fui estudando teatro, mais fui descobrindo que muita gente vem de Ribeirão Preto estudar teatro em São Paulo. E descobri que muitos Ribeirão-Pretanos não batem bem das idéias.

“Cara, mas e seu namorado? Você não disse que ele ficou com ciúmes de mim?”.

“Esquece isso. Ele é um sujeito legal. Vocês vão se dar bem”. Marisa era extremamente envolvente e conseguia me convencer a entrar em muitas furadas. Sempre tem uma pessoa dessas cruzando nossos caminhos e sempre tem os otários que caem nessa. “Tá… mas essas suas amigas são bonitas?” perguntei. “São lindas! Você vai adorar elas!”.

Entrei, e de fato o namorado dela era um bom sujeito. Compreendo o lado dele pois eu também não confiaria num sujeito desconhecido dando carona para a minha garota. Ainda mais se esse sujeito fosse eu. Se eu fosse o meu melhor amigo eu não deixaria a minha mulher pegar carona comigo. Aliás, muitos me comparam ao Bukowski, mas não é pela escrita e sim por eu ser um jovem tarado.

Ricardo era um sujeito calmo, bem tranquilo e fumava uma maconha de excelente qualidade. Marisa abriu um vinho e bebemos no gargalo. Quando suas amigas chegaram eu já estava bem chapado, mas não tanto para não perceber na mais nova furada que estava entrando. Como diria o pai de Hank Moody: “A vida é muito curta para dançar com gordas”.

Uma delas até que era bonitinha apesar do peso. Loirinha, gordinha, estilozinha com sotaque do interior. A outra já estava num estado de obesidade mórbida, mas também tinha estilo. Cantava Janis Joplin pra valer e me comia com os olhos. Eu por um lado tentava não ser comido pela Janis obesa que vestia um casaco de couro de lagartixa. Já a gordinha se mantinha na dela, tinha um papo bacana e era um tanto distraída. Gosto de mulheres distraídas, ainda mais quando elas estão chapadas.

Estava com excesso de líquido no organismo “Onde fica o toilet, por obiséquio?”. Às vezes eu tentava falar difícil quando estava bêbado. Marisinha já estava acostumada e me apontou a direção do banheiro. Ainda ouvi a gordinha dizendo “como ele é educadinho” antes de eu entrar no reservado.

Tranquei a porta e dei uma longa mijada enquanto assoviada de tanto alívio. Reparei na calcinha de Marisa pendurada no banho box. Saculejei meu pênis murcho e antes de guarda-lo, peguei a calcinha de Marisa e dei uma cafungada. Sentia o cheiro de sua boceta. Outro dia entrei numa discussão na mesa do bar sobre usar a expressão boceta ou vagina. O cabra dizia que vagina é bem mais bonita. “Pode ser mais bonita, mas nada iguala a sonoridade da palavra bo-ce-ta. Ainda mais se ela vier acompanhada da palavra ‘cabeluda’. Mas o Tom Zé poderia explicar isso melhor.”. Mas essa discussão já perdura anos pois me lembro de uma cena que fizeram no curso de teatro que havia uma discussão sobre isso. Mas eu estava mais preocupado com a boceta de Marisa, uma bela morena, alta e que me contava seus segredos sexuais. Eu estava era doido pra comer essa mulher. Mas agora conheci o filho da puta do namorado dela e o sujeito é chapa quente, buena onda, gente boa mesmo. Não é justo comer a mulher de um cara bacana. Então coloquei a calcinha de volta em seu lugar, guardei meu pau, já em estado meia bomba, dentro da calça e lavei as mãos. Ao abrir a porta do banheiro dei de cara com a gordinha chapada. Ela deu um belo sorriso. Não resisto a belos sorrisos. Tasquei-lhe um beijo!

Ela não entendeu nada, mas acho que gostou pois esboçou um sorriso assustado e entrou ao banheiro. Eu gostei também. Foi um beijo gostoso. Segui pro lado de fora da casa, aonde estávamos bebendo e lá estava Janis cantarolando “Mercedes Benz” sozinha. Uma gorda sozinha no canto de uma casa velha, com uma garrafa de vinho na mão, cantarolando Janis Joplin é a visão mais solitária que eu poderia ter naquela noite. Ficaria sensibilizado se não fosse os 120 quilos.

“E aí” disse ela. Eu busquei um cigarro no meu maço e o acendi perguntando aonde estava Marisa e Ricardo. Eles tinham ido pro quarto transar, informou Janis. O clima ficou esquisito e comecei a torcer para Ricardão sofrer de ejaculação precoce. “Eu queria dar pra você!” disse ela. Engoli a seco, dei uma longa tragada, uma tossidinha seca e disse “Pode crê”.
Ela ficou olhando pra minha cara enquanto eu observava uma garoa fina cair nas roupas do varal. “E aí?” repetiu ela. Comecei a gaguejar. Como dizer para uma mulher que você não quer transar com ela simplesmente por ela pesar 120 quilos. De cada lado.

“É que que, eu… eu beijei a sua amiga no caminho do banheiro. Seria… seria uma situação indelicada. Vamos deixar pra próxima…”. Ela ainda me comia com os olhos, quando minha gordinha chapada voltou. Agarrei ela e a beijei. Não conseguia abraça-la totalmente, mas já era melhor que a Janis, que acendeu um cigarro e deu uma profunda tragada, e soltou a fumaça num longo assopro. Se juntou a sonoridade do assopro, os gemidos de Marisinha, o que me deu tesão. Meu pau já ficava meia bomba quando “Eu quero transar”. Amoleceu de novo e eu aproveitei para propor uma saída estratégica: “Vamos embora daqui?”. Minha gordinha deu a ideia de irmos para a casa dela. Olhei para Janis que arregalou os olhos e quase que eu disse não, mas de qualquer forma teria que dar carona pra elas. “Vamos descolar um vinho nessa cozinha!” disse eu. Ia ter que me embriagar naquela noite. Descolei uma garrafa e meia na geladeira. Odeio quem coloca o vinho na geladeira, mas Marisinha só tomava vinho vagabundo, então não faria muita diferença estar gelado ou quente.

Entramos no carro com as duas garrafas. A chuva apertava um pouquinho e meu limpador de para-brisa seguia sem funcionar. As duas reclamavam da falta do limpador do para-brisa e do rádio quebrado. Mas ainda assim Janis continuava querendo transar comigo: “Eu quero dar pra você”. Dessa vez eu ri pois minha gordinha estava junto e achei engraçado ela ser mais direta agora do que das outras vezes. A gordinha também riu. Comecei a contar sobre o dia em que o som do carro quebrou… que não é uma história muito interessante para ser contada aqui.

Chegamos em frente ao prédio da gordinha. Era na divisa entre São Paulo e Osasco. Do lado da fronteira osasquense, claro. Pois se fosse do lado de cá seriam duas gostozinhas e não me dariam bola. Enquanto fechava o carro com o botão do alarme, que ainda funcionava, perguntei se ela morava sozinha. Disse que morava com um amigo que estava viajando e talvez não voltasse. “E se ele não voltar eu vou morar com ela” completou Janis. Entramos pela portaria e fiquei um pouco envergonhado por o porteiro me ver entrar com duas gordas. Mas como não era o porteiro do meu prédio, então foda-se.

No elevador ainda tinha câmera para registrar esse fato. Tentei ficar de cabeça baixa para não ser reconhecido no vídeo, mas tive de levanta-la quando ouvi a voz sexy de Janis dizendo: “Eu quero dar pra você”.

Minha gordinha sorriu com o canto da boca, parecendo não entender a tara da amiga. Eu por minha vez comecei a falar sobre olhares de elevador: “Hoje o professor estava falando que a gente estava com olhar de elevador em cena. Sabe essa parada de olhar pra todos os lugares possíveis, mas nunca para a pessoa estranha que está dentro do elevador contigo?”. E fiz meu olhar de elevador evitando o contato direto com os olhos de Janis Mórbida.

Sentamos no sofá e bebemos vinho pra cacete. Nos beijamos, eu e a gordinha, enquanto Janis ia ao banheiro. Elas eram bem inteligentes, e tinham vindo de Ribeirão para estudar teatro em São Paulo. Era uma noite muito divertida, fora vez ou outra que nosso papo era interrompido por “Quero trepar contigo!” vindo da Janis. Mas ela cantava demais! Qualquer noite iria achar um cabra com fetiche em gordas pra foder ela. Não eu. Não gosto de gordas.

“Vou ao banheiro” disse minha gordinha. E se foi deixando eu e Janis frente a frente num duelo. Mexi numas almofadas, acendi um cigarro, tomei um gole do vinho… mas não deu tempo de enrolar até a gordinha sair do banheiro. “Tá, beleza. Você venceu”. Abri a braguilha de minha calça e já excitado com a situação constrangedora, disse “chupa aí vai!”. Ela se ajoelhou em frente ao sofá, beijou a cabeça do meu pau e me deu uma olhar bem safado. Dei uma tragada e um gole no vinho. E ela começou a fazer o melhor sexo oral que já recebi na minha vida. E olha que já recebi vários. Mas nenhuma bela mulher consegue se comparar a ela. Janis sabia o que fazer com a boca num microfone.

A gordinha voltou do banheiro e ficou parada na entrada da sala olhando aquilo completamente embasbacada. Permaneceu ali uns dez segundos sem entender o que estava acontecendo. Eu olhava pra ela e ria feito uma criança, pois aquilo era pior que droga. E continuei gargalhando pra gordinha quando ela riu desacreditada e sumiu pelo corredor do apartamento.

“Ohh ohh ohh” gozei! O meu prazer era enorme, ainda mais porque ela engoliu meus espermatozoides. Adoro quando as mulheres fazem isso. Afinal de contas são vidas precisando de abrigo.

Eu me contorcia de prazer feito um folião que acabara de baforar um lança perfume. Estava com um sorriso de orelha a orelha. Quando voltei a realidade, dei um gole do vinho e olhei pra cara dela que estava toda orgulhosa com o serviço prestado. Sorriu pra mim e perguntou: “E agora?”. Até pensei em comer ela, mas pensei no que a gordinha estava pensando no quarto “agora eu vou ir dormir com a sua amiga”.
Vi a fúria em seus olhos, que agora pareciam querer me comer feito um caníbal, mas me levantei rapidamente sem fechar as calças, joguei a bituca acesa dentro da garrafa que ainda tinha um pouco de vinho e segui pelo corredor. Abri a porta do quarto errado primeiro, depois achei ela dormindo num colchão de casal jogado no chão no outro dormitório. Adoro esse pessoal que vem na loucura pra São Paulo. Eles só consumem necessidades, nada de luxo, e fode-se a cama. O barato mesmo é colchão no chão. Digo “barato” nos dois sentidos da expressão.

Tirei minha roupa, ficando só de cueca preta. Uma vez numa filosofia de bar ouvi um bêbado falando “Eu só uso cueca preta, pois a gota do mijo e aquele peidinho que borra se perdem no escuro da cor”. Achei que fazia sentido e fez, pois minha mãe vivia reclamando das minhas cuecas sujas, porém depois que troquei das brancas para as pretas tudo mudou. O que deveria mudar de verdade era quem lava as minhas cuecas. Talvez se eu lavasse minhas próprias cuecas eu fosse um cara um pouco mais maduro e deixasse de suja-las. Mas eu ainda estava procurando uma mulher que topasse lavar as minhas cuecas. Afinal de contas eu gosto dessa infantilidade toda.

Me deitei ao lado da gordinha e a abracei. Ela não apresentou nenhum sinal de rejeição. Ao contrário, ainda pegou meu braço e o ajeitou no seu corpo esférico. Ela estava de blusinha e um short bem curtinho. Acho que eu gostei de abraça-la pois meu pau começou a ficar rijo. Era difícil eu me animar tão rapidamente após ejacular. Ainda mais gozando pra valer. Mas foi ficando duro e eu comecei a cutuca-la. Apertei a sua barriga enchendo a minha mão de gordura. Gosto de apertar barrigas. Começamos a nos movimentar. Nos roçamos, agarrei seus cabelos e beijei a sua nuca. Ela então virou pra mim e nos beijamos. Me lembrei de como foi gostoso beija-la na porta do banheiro após cafungar a calcinha de Marisa. Enfiei minha mão dentro do short dela e percebi a falta de roupa íntima. Toquei a sua buceta gorda e encharquei minha mão. A vida sexual de uma pessoa gorda não deve ser fácil, por isso elas não devem perder oportunidades com frescuras psicológicas sexuais e já vão ficando logo molhadas para evitar dificuldades. Assim como o pau de um gordo tarado deve subir bem mais rápido que o meu quando ele tem uma possibilidade de molhar o biscoito. A não ser que a saúde atrapalhe a sua ereção.

Arranquei seu short e me enfiei entre suas pernas roliças. Saquei o pau mais duro do que nunca e penetrei na vagina da gordinha. Mais uma baforada no lança perfume. Estava em estado de êxtase. Fui ao espaço passear pelo universo e voltei, mas foi na velocidade da luz. “Oh oh oh” gozei! Eu nunca tinha sentido tanto prazer em penetrar alguém que acabei sofrendo uma ejaculação precoce. “Ops” disse eu. “Mas já?” perguntou ela. Me desculpei com tamanha vergonha. “É que a sensação foi tão boa que eu não consegui controlar”. Ela esboçou um sorriso, mas continuou brava e eu envergonhado.

Ela dormiu e eu fiquei ali acordado pensando na vida. Como posso chamar uma mulher esculpida na academia de gostosa se duas gordas puderam me dar imenso prazer? Bem mais prazer do que algumas belas garotas que descolei por aí. Talvez o mundo esteja deturpado em relação a isso. As gordinhas são deliciosas!

Frequentei esse apartamento por um longo tempo. O amigo não voltou, Janis alugou o outro quarto e fiquei por ali transitando de quarto em quarto tendo as noites de sexo mais maravilhosas da minha vida. Noites que viravam dias. Além do sexo, minha gordinha lavava minhas cuecas e cozinhava pra gente, Janis cantava e comprava vinhos vagabundos pra bebermos. E eu bebia e escrevia contos para elas. O melhor deles se chamava “A vida é muito curta para não dançar com gordas”.

Sigo solitário…
Viajo comigo mesmo e observo tudo ao meu redor. E tudo que está ao meu redor sou eu mesmo. Por isso nunca irei me perder pelo caminho. Tudo é unidade. Às vezes me esqueço disso e deixo meu ego pensar que sou Deus. Besteira… Deus não existe. Deuses não existem! Claro que há uma única rara exceção: Jim Morrison! O Deus do Rock! Por isso viajava ao som de Doors. Tocava “the end” quando caí numa rota inexistente no meu GPS. Ao meu redor a mãe natureza me engolia. À minha frente a estrada de terra se acabava e só restava um matagal intransponível. Ouvi ruídos de animais selvagens. Fechei os vidros e liguei o ar condicionado, pois o calor estava infernal. Rezei e pedi a Deus que me tirasse dessa encruzilhada, ao mesmo tempo que Jim Morrison matava seu pai e fodia sua mãe.

Eu pensei em xingar alguns paulistas aqui no Facebook, mas daí me lembrei que eu sou paulista. Paulistano mesmo. Então deixei pra lá…

Daí pensei “Pô vou xingar um nordestino”. Mas me lembrei que meu avô materno é um nordestino que veio vencer em São Paulo. Direto da Paraíba.

Pensei em fazer uma piada de português, mas meu avô nordestino casou com uma portuguesa que deu a luz a minha tão amada mãe. E outra, o que os portugueses têm a ver com a nossa eleição?

Então falei para mim mesmo “vou xingar um negro!”. Mas olhei para o lado o fiquei admirando minha namorada que estava dormindo. Ela é morena, filha de um nigeriano negão que veio viver no Brasil.

“Ah os gaúchos…” Mas daí lembrei da bela recepção que tive em Porto Alegre no início desse ano. Fiz grandes amigos gaúchos por lá. E já tinha amizade com alguns gaúchos que moram em São Paulo.

Pensei no pessoal do Norte, mas lembrei dos meus tios de coração que hoje vivem em Brasília. Eles são de Rondônia.

“E se eu postasse uma frase homofóbica?”. Não… Eu tenho amigos gays e além do mais o Cazuza é o artista da música brasileira que eu mais admiro.

“Ah sobrou para os cariocas novamente…”

“Rabixca moleque do Caralho! To chegando em São Paulo amanhã rapá. Valeu?”. Meu grande amigo carioca por whatsapp.

Fechei meu computador e me deitei ao lado de minha namorada. Afinal de contas: amar é bem melhor que odiar.

Se a vida fosse um vai e vem ela seria foda como o sexo. Mas a vida só vai e nunca volta. O que me faz olhar para trás com um saudosismo melancólico pois há coisas na vida que me fazia muito feliz e nunca mais terei essa experiência novamente. Como o fato de estar numa sala de aula no colegial sem preocupação com vida financeira e o caralho a quatro. Apenas preocupado em me aparecer para a turma ao atrapalhar as aulas de português da professora Francisca, vulga Chica Maluca. Matar aula de matemática para jogar bola e voltar de ônibus dando em cima da garota do bairro. Dar aquela dormida a tarde no sofá e só acordar com a mãe voltando pra casa com pão e manteiga na hora da Malhação. Na minha época Malhação era uma novelinha bacana que tocava Charlie Brown Jr. e o Cabeção andava com seu “Ogromóvel” pra lá e pra cá atrás da mulherada.

Tinha também o “três dentro e três fora” que eu jogava com o molecada na rua. Mas o que todo mundo gostava mesmo era o “rolinho porrada“, ou “passou levou”, depende da quebrada que você morava. Na minha rua era “rolinho porrada” pois o pau comia solto. Até o sujeito chegar no poste para se livrar da pancadaria era uma eternidade de pontapés e socos no estômago, nas costas, só não valia bater do pescoço pra cima. Era bom ficar esperto para não tomar uma bola entre as pernas.

Falando em futebol, jogar bola com os primos no imenso quintal da vovó já não dá mais. A gente cresceu e o quintal ficou pequeno demais para poucos primos. Quem dirá quando brincávamos de policia e ladrão. Todos nós éramos ladrões e a única polícia era a nossa avó. Judiamos um pouco da velha, mas ela ainda aguentava bem a brincadeira. Hoje em dia só se for uma partida de xadrez ou sentar na beira da cama dela e ouvir histórias, ou contar algumas. Nada como um neto para fazer uma pessoa sorrir no fim da vida.

Falando em futebol e envelhecimento. Jogar bola com meu pai já é algo que talvez não aconteça nunca mais. Era algo divertido que nos tornava mais próximos. A parte mais divertida era quando eu com meus treze anos de idade lhe aplicava um chapéu ou uma caneta e seus amigos começavam a rir e soltar piadas do tipo: “esse mês não tem mesada hein”. Em algumas dessas oportunidades meu pai me passava o rodo. Não para machucar, mas só para eu aprender a respeitar os mais velhos.

Imaginar a terceira guerra mundial enquanto eu manipulava meus bonecos de Comandos em Ação também nunca mais irá acontecer. Não que eu não possa brincar mais com bonecos. Mas a imaginação já não é a mesma. Um professor de teatro uma vez me falou algo sobre isso. Sobre crescermos e perdermos aquela imaginação lúdica que tínhamos quando criança. Mas creio que talvez isso fosse possível fazer novamente se eu não tivesse que perder meu tempo me preocupando com dinheiro para pagar as contas.

Porém o que eu mais gostava e nunca mais irá voltar é aquela sensação de viajar com meus pais para um hotel fazenda e ficar na turma dos jovens da recreação. Aquela entre a dos adultos e a das crianças. Com monitoras que despertam nossa libido juvenil com seus sotaquezinhos de interior e seus corpinhos de estudante de educação física. Elas sempre simpáticas e nós, os jovenzinhos, achando que teríamos alguma chance. O trabalho delas era ser simpática e divertir a gente. Quase a mesma função de uma prostituta, só que uma diversão diferente. E também tinha as outras jovenzinhas hóspedes do hotel. Dependendo do hotel essas jovens eram muito bem afeiçoadas e muito bem tratadas pelos pais. E flertar nas noites de ar puro do interior com essas garotas, procurando um disco voador entre as estrelas durante uma brincadeira de polícia e ladrão pelo hotel sempre foi muito divertido. Lembro de uma vez que fomos para um hotel e voltei encantado por uma ruivinha artificial com quem flertei por lá. Acho que era Fernanda o nome dela. Não me lembro bem. Acho que se eu ver essa garota na rua hoje nem vou reconhece-la. A gente deveria ter uns treze anos na época. E ainda me lembro de passar dias pensando naquela ruivinha artificial e ouvindo um CD do Zeca Pagodinho do meu pai que tinha a música “Saudade Louca” e que eu ficava cantando “Nunca mais ouvi falar de amor…” baixinho, deitado na cama.

Sofrer de amor deitado na cama ouvindo uma música repetidas vezes é uma coisa que sempre vai acontecer na minha vida, eu acho. Mas arranjar uma namorada num hotel fazenda enquanto se participa das brincadeiras da turma jovem da recreação. Isso nunca mais. Mas quando eu tinha meus dezessete anos isso aconteceu e foi a primeira grande mulher a passar pela minha vida.

Meus pais seguiram o conselho dos vizinhos e fomos em quatro famílias para um hotel fazenda em Barra Bonita no interior de São Paulo. Lá aonde o Rio Tietê ainda é bonito e limpo. Era carnaval do ano de 2007. O melhor carnaval de minha vida. Que me desculpe os outros carnavais, mas é que nesse eu conheci Maria Isis.

Lembro que logo ao chegar no hotel, na sala de recepção, cruzei com uma bela família com duas belas mulheres. Mãe e filha. Morenas de cabelos encaracolados. A filha tinha luzes e um olhar cheio de brilho que cruzou com o meu rapidamente. Dei um sorriso e cumprimentei a família com um sonoro “boa tarde!” que foi retribuído.

No final desse dia ainda rolou uma integração juvenil no hotel em que eu, minha irmã e minha vizinha, que tinha uns 14 anos na época e já era uma graça, participamos. Percebi que aquela galera frequentava aquele hotel todos os carnavais desde a infância. A maioria já se conhecia e eu precisava buscar o meu espaço para arranjar algo nesse carnaval e não ficar chupando o dedo. Havia belas garotas por ali. Além de minha vizinha, é claro. Tinha uma loirinha muito bonita que estudava num colégio baita caro em São Paulo. Eu deveria ser o único ali, junto com minha irmã, que estudava em colégio do estado. Mas isso nunca foi problema para mim, e eu até achava um jeito de deixar isso interessante ao contar histórias para as garotas. Falando em garotas também havia entre elas uma morena magrinha, que parecia estar tentando seduzir todos a sua volta. Ela era filha do sujeito mais competitivo do hotel, principalmente quando se tratava de Biribol. Acho que o nome dela era Isadora, não me lembro. Me lembro só dela, que era bem bonitinha, aquela coisa de burguesinha bem cuidada. E eu até me deixaria seduzir se eu não tivesse dado de cara com aquela morena de olhos brilhantes que me sorriu espontaneamente ao responder meu “boa tarde”. Mas aonde estava essa morena? Acho que tinha ido dormir.

Fiquei ali mais um pouco jogando o jogo interativo com os outros jovenzinhos e prestando atenção nas monitoras do grupo juvenil. E conhecendo a rapaziada. Tinha um grandão que se chamava Rodrigo, deveria ter uns dois metros de altura, e era o típico grandão bobão. Tinha um tal de Thiago, um sujeito engraçado, porém pouco confiável, que daria em cima da minha futura namorada através das redes sociais. E tinha um tal de Tico que foi o único sujeito que eu fui com a fachada.

Foi uma noite de sexta-feira bastante agradável. Após o término da recreação fiquei conversando com os meus novos amigos e com as possíveis vítimas daquele carnaval. Com aquele meu papinho furado de sempre, mas que ainda contava com meu sorriso branco.

No dia seguinte, num sábado de carnaval, acordei cedo, escovei meus dentes e fui ver a programação da recreação juvenil que começava sempre com alguma brincadeira bem legal numa quadra poliesportiva qualquer. Isso nunca mais vai acontecer. De agora em diante, se eu quiser seguir a programação, é caminha junto com os idosos, ou tomar uma cerveja na piscina e de meia em meia hora dar aquela mijadinha disfarçadamente enquanto espero pela hidroginástica. E torcer para que a piscina não tenha aqueles dispositivos que deixa a água colorida quando alguém dá uma urinada.

O dia passa devagar quando a gente é jovem. Brinquei nos tobo-águas. Engraçado que tinha uma criancinha que enfiava a sunga no rego para descer nos tobo-águas. Era o tipo daquela criança que a gente olhava e pensava “Hummmmm esse aí não sei não, viu”. Mas para os pais dele não era problema, mesmo porque o pai dele era um sujeito que estava atracado com o namorado na piscina para a repulsa dos outros hóspedes. Naquela época o assunto ainda era tabu e não existia beijo gay nas novelas globais. Eu ainda era um sujeito jovem que cometia bullying contra os homossexuais do meu colégio. Mas pra falar a verdade eu estava cagando e andando pois a vida dos outros não me afetava em nada e eu só queria achar aquela morena de luzes no cabelo e me atracar com ela na piscina.

Enquanto isso a tal de Isadora ficava ali por perto. E eu ficava olhando sua bundinha balançar quando ela passava enquanto meus vizinhos reclamavam de um cara de bigode e rabo de cavalo que não sabia brincar e ficava enchendo o saco durante um jogo de Biribol.

A tarde joguei futebol num belo campo de grama sintética. E meu parceiro de ataque era um sujeito de bigode e rabo de cavalo que ficava me dando conselhos táticos futebolísticos. Não a nada pior do que isso para um jovem que está brincando de jogar bola. Eu só queria fazer um gol e gritar “Chupa bigode filho da puta! Eu vou comer a sua filha!”. Mas o fato é que isso nunca mais vai acontecer. Eu entrar no time dos adultos. E vou passar a entender os amigos velhos do meu pai que não gostavam que um jovenzinho jogasse bola com eles. Como diria um velho amigo: “Ficar velho é uma merda. Tente o suicídio antes.”. Nisso eu meti um golaço e o bigodeira veio gritando em minha direção “Boa menino, boa!” e me deu um abraço suado e aquele tapinha na cabeça como quem diz “tá aprendendo, tá aprendendo” enquanto eu pensava “se não fosse a outra morena, eu iria abraçar a sua filha seu velho fedorento”.

O dia foi-se embora. O sol baixou e os hóspedes foram tomar banho. Após o jantar rolou um coquetel no hall do hotel e eu beberiquei uns drinks vagabundos junto com a rapaziada. Dava risada junto com o tal de Thiago e o grandão bobão. Falávamos sobre as mulheres daquele hotel. Até da vesguinha gordinha. Era gente boa a vesguinha, mas era gorda. Tipo um BigMac com pão sem gergelim. Os caras me falaram sobre a tal de Isadora dar em cima de alguém em todos os carnavais. Parece que esse ano era eu o escolhido. Mas entramos em consenso quando a morena e sua família passou. Falamos das duas: da mãe e da filha. Aquele papo de homem no melhor estilo “E aí comeu?” de Marcelo Rubens Paiva. Mas já percebi ali que a concorrência seria grande. Ainda mais tendo na jogada um cara de quase dois metros de altura.

Cansei desse papo masculino idiota e fui me sentar com minha irmã e minha vizinha de 14 aninhos. Folgado do jeito que sou, me deitei no sofá e apoiei minha cabeça no colo de minha vizinha. É uma situação um tanto maternal e as mulheres parecem gostar disso e minha vizinha me fez cafuné. Juro que se não fosse a morena eu tentaria estreitar minha relação com a vizinhança. Ainda mais que a família era incrível. Acho que antes de entrar num relacionamento devemos conhecer a família da pessoa. Primeiramente por família ser super importante e pode rolar umas festas bacanas de família que você pode ser envolvido. Mas também por causa dos traumas. Família problemática, mulher psicologicamente surtada. Há suas exceções, é claro. Mas também aquilo ali nunca mais poderia acontecer. Digo quanto a eu receber carinhos de uma garotinha de 14 anos. Tendo 17 anos ainda vai lá, mas com 25 anos de idade já é pedofilia braba. Se bem que tem umas garotinhas de 14 anos…

Ia começar uma brincadeira investigativa. Dois grupos perdidos pelo hotel. Com rádios para se comunicar. E um grupo tinha que dar pistas para o outro grupo e quem se achasse primeiro ganhava. Pedi pra minha irmã e minha vizinha chamar a tal morena para brincar com a gente. Ela aceitou e chegou junto com minha irmã na roda. Logo todos os espertões quiseram aproveitar de minha “espertice” e se aproximaram para conhecer a jovem. Perguntei qual era o nome dela. “Maria Isis” ela disse e sorrimos um para o outro.

Fui designado a escolher um dos times. Ela foi a minha primeira escolha. Depois escolhi minha irmã, minha vizinha e por aí em diante. O tal de Tico acabou caindo no meu time. Um malandro de poucas idéias. Gosto de pessoas assim. Nessa época eu ainda conversava bastante com as pessoas, mas sempre superficialmente. Talvez até hoje eu seja assim e só tenho papos profundos com algumas poucas pessoas. Acho que por isso me identifiquei com o sujeito e ele comigo. Passou algum tempo e começou a brincadeira. Cada grupo foi para um lugar se esconder. O Tico deu a idéia de nos escondermos na sala de computadores do hotel. A primeira dica que demos foi “vemos uma cadeira”. Não lembro quais as dicas que eles deram, pois logo desistimos de procurar o grupo e resolvemos apenas caçoar deles os fazendo andar pelo hotel inteiro enquanto a gente ficava sentado olhando para a tela do computador aonde ficavam as fotos do hotel para que os hóspedes pudessem escolher e comprar. A gente parava numa foto da piscina e dizia “estamos vendo uma piscina”. Logo depois a gente falava “estamos vendo o Thiago” e a galera bufava “esses malucos estão tirando!”. A gente gargalhava sem parar. E Maria Isis ali, ao meu lado. Que bela risada ela tinha.

A brincadeira acabou, ninguém ganhou, mas eles ficaram putos com a gente. Estava pouco me importando para as brincadeiras. Queria era conversar com Maria Isis. E ficamos ali conversando até tarde. Ela também tinha 17 anos e estava numa faculdade de alto nível estudando arquitetura. Enquanto eu acabara de reprovar o terceiro ano em um colégio estadual e não estava afim de nada com vida. Era uma situação meio “Eduardo e Mônica”. Ela fazendo maquete e eu naquele esquema escola, cinema e baseado no escadão. Ela disse que ia dormir para acordar cedo. Acompanhei ela até o seu chalé e lhe dei um abraço. Ela me olhou com seus olhos que brilhavam ainda mais sob a luz do luar. Quando ela virou as costas eu ainda disse “boa noite!”. Ela se virou e sorriu. Nunca irei esquecer do sorriso dela. Fiquei observando ela entrar e depois caminhei até o meu chalé contando para a lua o que estava sentindo. Andar sozinho pela noite e conversar com a lua me soa um pouco Natiruts. Mas tudo bem, eu gosto de Natiruts.

O domingo foi muito mais agradável do que o sábado. Passei o dia em companhia de Maria Isis e de uma menina que ela havia conhecido no sábado. Uma garota com belos e enormes peitos. Não sou assim um admirador de peitos grandes. Me lembram atrizes de filme pornô americano. Mas os dessa garota eram bacanas.

Brincamos no tobo-água e rimos do molequinho com a sunga enfiada no rego, jogamos Biribol e ganhamos para a fúria do senhor bigode que estava no outro time, almoçamos juntos, participamos de uma brincadeira na quadra e só nos separamos na hora do futebol. Dessa vez meu pai que dividiu o ataque comigo, porém saiu machucado. Nosso entrosamento era algo como Pelé e Coutinho. Lembro que nunca deixavam a gente jogar no mesmo time de sábado que durou uns 10 anos. Mas às vezes não tinha jeito e era difícil nos marcar. Infelizmente nessa época já era cada vez mais raro e hoje é praticamente inviável que nossas tabelas venham a acontecer novamente. E o meu time ganhou para o desânimo do bigode que estava no ataque do outro time.

Após o futebol encontrei Maria Isis e sua amiga peituda novamente. Ficamos conversando na piscina até escurecer. Eu já começava e arriscar uns abracinhos por debaixo d’água e umas cantadas baratas que fazia ela e sua amiga cair na risada. Um pouco depois Tico se juntou a nós. E ficamos ali os quatro contando histórias e dando risada enquanto o sol saia de cena. Um fim de tarde agradável daqueles que nunca irei esquecer. E daqueles que talvez nunca terei outra vez na vida. Não nessas condições de jovem que acaba de conhecer uma garota jovem. Os dois livres de preocupações e com o único intuito de se conquistarem e serem felizes durante uma viagem de carnaval. Numa época em que tudo é pra sempre e não apenas por uma noite ou por um fim de tarde. Aos 17 anos ainda somos seres ingênuos que estão começando a perder a pureza. Às vezes tenho inveja do meu amigo que namora a mesma garota desde os 17 anos. Eu nunca poderei ter essa experiência. Talvez ele tenha inveja de mim que vivi a minha juventude solteiro. Mas viver é cair num abismo. Depois que botamos a cabeça pra fora de nossas mães, não tem mais volta. É só aproveitar a queda e esquecer do que ficou pra cima. Até que um dia chegaremos ao chão.

A noite nos encontramos depois do jantar. A programação era uma baladinha. Não foi nada animada a tal baladinha. Quase ninguém dançou. Mas a juventude do hotel estava lá. Conversamos com o pessoal. Isadora me olhava de longe mas eu nem dava bola. Só queria saber de Maria Isis. E todos os caras queriam saber dela. E eu já estava ficando nervoso com o tal de Rodrigo. O grandão bobão. Mas eu não poderia agredir ele se não iria tomar uma tremenda surra. O cara era grande. Então deixei o cara tentar. Estava confiante. Apesar de Maria Isis fazer jogo duro, eu confiava no seu olhar que dizia que me queria da mesma forma que o meu olhar queria ela. E o grandão tentou. Enquanto eu estava sentado num sofá conversando com Maria Isis, ele se aproximou, pegou na mão dela e a chamou pra dançar. Eu fiquei puto da vida com a petulância desse rapaz. Porém logo me acalmei quando ela meio sem graça com a situação, olhou para mim como se dissesse “eu tô com ele” e disse pro tal Rodrigo que não queria dançar. Ele saiu andando e nós dois ficamos nos olhando. Tentei disfarçar o meu ciúmes, mas não deu certo. Ela começou a rir de mim. “Esse grandão bobão filho da puta tá tirando. Só pode.” E ela ria dizendo “você está com ciúmes”.

Nessa noite acompanhei ela até o seu chalé novamente. Enquanto caminhávamos peguei em sua mão. Eu não era o tipo do cara que andava de mãos dadas por aí, mas dessa vez eu senti vontade. Alguma coisa acontecia por dentro do meu corpo. Uma sensação que nunca havia sentido antes. Acho que essa sensação eu posso sentir pelo resto da minha vida. Talvez eu me apaixone aos 80 anos, se eu chegar até lá, pela velhinha da dentadura mais bonita do baile da terceira idade. Mas estou fazendo de tudo para a minha vida não chegar até os 60. Não gosto muito de peles enrugadas e nem de falta de dentes.

Paramos em frente ao chalé que ela estava hospedada e ficamos nos olhando por um tempo. “Por que tu não foi dançar com o grandão bobão?”. “Precisa mesmo responder?” disse ela. Não me contive e sorri. Me aproximei para beija-la. Ela desviou do meu beijo e me abraçou. Me deu um beijo no rosto e me disse “boa noite” e partiu. Eu não entendia nada de mulher ainda nessa época e talvez não entenda até hoje. Também não entendi bulhufas do porque ela não ter me beijado. Precisava fumar um cigarro e conversar com a lua sobre ela e essa recusa. Entrei no hall do hotel procurando algum adulto que me arranjasse um careta. Estava vazio, a não ser pela presença de Isadora que vinha descendo da baladinha desanimada. Ela veio até mim e perguntou o que eu estava fazendo por ali. Disse que estava procurando um adulto que pudesse me dar um cigarro. “Por que você fuma?” ela perguntou. “Porque eu sou viciado.” respondi. Ela deu risada e fomos caminhando em direção aos chalés. “E você está ficando com aquela menina lá?“. Me surpreendi com a pergunta mas respondi “Pô estou tentando. Mas não estou entendo nada. Acho que não entendo nada de mulheres. A gente passou o dia inteiro juntos. O Rogrido chamou ela pra dançar e ela recusou. Já andamos de mãos dadas e tudo. Mas fui beija-la agora quando a levei pro chalé e ela recusou meu beijo.”. Isadora ficou me olhando carinhosamente enquanto eu falava. O que me deixou meio sem graça, fazendo com que eu desistisse de me lamentar. Então ela veio se aproximando, me fazendo cafuné e enfim me beijou. Foi surpreendente demais para que eu pudesse evitar. E não vou mentir. Gostei muito daquele beijo e estive pleno nele. Foi um daqueles beijos que dura uma eternidade em poucos segundos. Mas quando o beijo cessou e eu abri meus olhos e vi que não era Maria Isis quem estava me beijando… “Acho que eu preciso dormir” eu disse. Não sei como ela recebeu isso, então resolvi fazer um elogio. “Você beija bem pra caramba!“. Lhe dei um beijo no rosto e um abraço e acompanhei ela em silêncio até o seu chalé que ficava no caminho do meu.

No outro dia de manhã acordei com a cara inchada e dolorida. Fui até o espelho e olhei aquilo. Havia uma bola abaixo da minha orelha. “Mãe que porra é essa no meu rosto?”. “Não fala palavrão menino! Deixe-me ver…”. A expressão da minha mãe não foi das melhores. Minha irmã deu risada e disse que era caxumba. De fato alguns amigos nossos estavam passando caxumba de um para o outro. “É, vai ter que largar a menina e ficar descansando se não vai acabar descendo pro saco” caçoou meu pai.

Eu preferia ficar de saco inchado do que perder a oportunidade de passar mais um dia inteiro ao lado de Maria Isis. Era segunda-feira de carnaval. Tinha só até a quarta-feira de cinzas para aproveitar.

Escovei meus dentes, me troquei e saí do quarto. Ao trancar a porta me lembrei da merda que havia acontecido na noite anterior. Pensei “Foda-se. Vou fingir que nada aconteceu” e fui tomar meu café da manhã com meus pais e vizinhos. Ao terminar minha primeira refeição do dia, passei na mesa da família de Maria Isis para dar “bom dia!”. Conheci seu irmão que devia ter uns 13 anos e era muito, mais muito engraçado! Seu pai que era um sujeito esportista, empresário de sucesso, um sujeito bacana. Se chamava Roberto e me olhou daquele jeito dos pés a cabeça como quem diz “então é você que está querendo comer a minha filha?”. Mas também foi um olhar simpático. Me convidou para sentar e eu como um bom cara de pau educado que sou, me sentei. Sua mãe, Maria Luiza, que era uma mulher muito bonita me ofereceu um sorriso acolhedor. Gostei dessa família! O problema é que quando você conhece uma garota bacana, de família e se apaixona por ela. Surge o momento que você tem de sentar a mesa para o interrogatório. Será obrigado a responder perguntas indiscretas. O pior de tudo é quando você é um bosta que acabou de repetir de ano num colégio estadual e está cagando pra vida.

Antes de qualquer pergunta levei a conversa para outro lado e me fiz de vítima reclamando de dor e relatando o estado em que acordei. Com meu rosto inchado e com sintomas de caxumba. Ainda lhes contei a piada que meu pai fez comigo “E meu pai ainda falou que eu não ia poder passar o dia com a filha de vocês pois se não a parada ia descer lá pra outro lugar, sabe?”. Eles riram, apesar de eu meter a filha deles na história. A mãe dela que era dentista perguntou se eu já tinha arrancado os dentes do siso. Disse que não. “Então vai ver isso quando você voltar. Pode ser que esteja doendo pois está empurrando os outros dentes.”
Fiquei um pouco aliviado pelo meu saco escrotal, mas o assunto não segurou muito e Roberto perguntou o que eu fazia da vida com um sorriso. Maria Isis se envergonhou e disse “Aí pai…”. Eu me cresci e comecei omitindo que havia reprovado de ano. Falei que estava fazendo um curso técnico em Computação Gráfica ao mesmo tempo que terminava o colégio. Cursos técnicos impressionam pais. Botei firmeza na resposta, mas o fato é que eu não lembro de porra nenhuma que estudei naquele curso. E creio que isso também nunca mais vai acontecer. Meus pais acreditarem na minha boa vontade de estudar e me pagarem um curso. Eles já me deram inúmeras oportunidades e eu caguei em todas elas. E hoje sou um rapaz adulto com condições de bancar meus próprios cursos.

Me saí bem do interrogatório e fui liberado. Saí dali levando a filha deles comigo para passear pelo hotel. Enquanto caminhávamos para a piscina o casal gay estava a nossa frente. Um apalpando a bunda do outro. Pensei em apertar a bunda dela, mas ela nem se quer me deixou beija-la, imagine então tocar seu corpo. Então rimos da situação e peguei em sua mão. E caminhamos mais um pouco assim, conversando, até que chegamos na área da piscina e soltamos as mãos com vergonha ou sei lá porque. Agora era a vez dela passar pela mesa de meus pais. Mas antes de chegar na mesa em que meus pais estavam passou por nós Isadora. Ela nos olhou e disse “bom dia” e nós respondemos. A minha voz saiu um pouco abafada, mas me deu um alívio desse primeiro choque pela manhã. “Ufa…” pensei comigo.

Na mesa de meus pais minha mãe sempre simpática e meu pai com seu carisma de vendedor e todo orgulhoso do filho estar pegando a garota mais bonita do hotel. Os vizinhos curiosos também vieram dar um “oi” e aquela famosa averiguada. Me senti como um namorado que não beija na boca. Mas tudo bem, eu estava curtindo estar na companhia dela e andar de mãos dadas. Namorar de mãos é outra situação que nunca mais vai acontecer. Quando eu tinha uns 3 aninhos de idade tive uma namoradinha que se chamava Jaqueline. A gente andava de mãos dadas. Morávamos no Bairro do Limão em São Paulo. Minha família saiu de lá quando eu tinha 4 anos e nunca mais vi essa menina e nunca consegui acha-la pelas redes sociais. Então se alguém conhecer uma mulher de 25 anos chamada Jaqueline e que nasceu no Bairro do Limão, por favor, mandar inbox.

De manhã foi aquela coisa. Passamos o dia na piscina e depois sentamos para assistir Biribol. Fomos almoçar juntos. Depois acompanhei ela até seu chalé para que escovasse os dentes e depois fui escovar os meus. Nos encontramos no hall do hotel. Ela se sentou no sofá e eu deitei minha cabeça sobre seu colo e ela fez carinhos em meus cabelos. Conversamos algumas besteiras e depois fomos dar um rolê pelo hotel para fazer a digestão. No caminho encontramos Tico e a amiga peituda que estavam feito a gente. In love. Andando pra lá e pra cá juntos. Parecia um inconsciente coletivo. Todo mundo querendo namorar nesse carnaval. Inclusive o casal homo-afetivo.

Mais tarde nos juntamos ao grupo de jovens para a brincadeira proposta pela recreação. Era mais ou menos um polícia e ladrão com bexigas d’água. Foi bastante divertido até que avistei uma cena preocupante. Tipo quando meu pai estava assistindo a final do Paulistão de 2009 e o Ronaldo Fenômeno deu aquele corte seco e uma cavadinha encobrindo Fabio Costa. Olhei para o meu pai que é santista fanático e dei uma risadinha sacana. Os vizinhos santistas que estavam pela sala ficaram atônitos diante da maravilha de jogada que afundava de vez o time deles. E Ronaldo Fenômeno nunca mais irá jogar futebol profissional e nunca mais deixará ninguém de queixo caído ao ser surpreendido por um lance de genialidade. E ele também nunca mais será magro. E eu fiquei assim, paralisado, quando vi Maria Isis indo buscar bexigas d’água na base e Isadora indo atrás dela, só que com outro objetivo. Vi quando Isadora abordou Maria Isis e as duas começaram a conversar. Voltaram juntas em nossa direção, sem pressa, apenas caminhando e conversando. Enquanto isso eu estava ali feito aquelas cenas de filmes guerra. Quando o mocinho corre num super slowmotion e a guerra explode atrás dele. Ainda bem que a guerra aqui era de bexigas d’água. E eu estava apenas parado pensando no que eu iria fazer. Resolvi ter certeza do que havia acontecido. Quando Maria Isis se aproximou eu dei-lhe um abraço. Ela se desvencilhou de mim e disse “você beijou aquela menina!”. Respondi afirmativamente com a cabeça. Ela se afastou e foi-se embora me deixando sozinho no meio da guerra. Ainda me acertaram uma bexigada na testa que explodiu me molhando todo. Mas tudo bem. Eu precisava de um pouco de água fria para esfriar a cabeça.

Aquela tarde foi cruel malandro. Voltei triste e me sentei numa cadeira de piscina próximo aonde estavam meus pais. Meu pai me viu sozinho e foi lá bater um papo comigo. A gente não conversa muito, mas ele sempre percebe quando estou triste. Contei que eu tinha beijado a outra menina que foi lá e contou pra Maria Isis e que eu me fodi. Isso é uma coisa que sempre vai acontecer na minha vida. Fazer merda quando o assunto é mulher e me foder no final. “Essas coisas acontecem meu filho. Mas se você está gostando dessa menina, vá atrás dela. Não quero te lembrar, mas você só tem 2 dias. Quer uma cerveja?”. Ele sempre me oferece uma cerveja.

Eu aceitei a cerveja e fui ao meu plano de reconquista. Isso é algo que terei de fazer bastante na minha vida. Reconquistar.

Deixei o futebol de lado. Tomara que o bigode tenha ganhado dessa vez. Comprei uma garrafa de água e segui a programação que era uma sessão de dança. Lá estava ela com aquela calça colada de fazer ginástica delineando seu corpo. Era a coisa mais linda vê-la dançar e eu me sentei num degrau bem na frente dela e ali permaneci durante essa uma hora olhando para seus olhos. E também para o seu corpo, o seu rebolado. Estava realmente excitado com aquela imagem. Muito mais agradável do que jogar bola. Acho que ela não estava gostando muito pois me olhava furiosamente. Parecia que queria me matar com seus olhos brilhantes. Eu sorria e ela bufava. Ela suava e eu lhe oferecia água. Ela recusava e dançava de um jeito tão sexy. Acho que foi o dia que ela dançou da forma mais plena em sua vida só para me mostrar o que eu perdi. Mas quando a gente sente a conexão com o amor, sempre resta uma esperança.

Quando a sessão de dança acabou ela passou por mim e eu disse “é lindo te ver dançar”. Acho que a minha cara de pau a deixou nervosa. Ela parou, me olhou, se virou e foi embora. O silêncio sempre será pior do que qualquer palavra.

Fiquei ali arrebentado. Ainda tive o desprazer de ter que ver a tal da Isadora passar por mim com um sorriso cínico na cara. Pensei em pedir ajuda pra alguém, mas não. Esse tipo de coisa a gente resolve sozinho. Fui pro chalé e tomei um banho gelado. Essa noite era o famoso jantar do planeta, ou do mundo, sei lá. Uma parada bem brega, mas com uma culinária divina de diversas escolas gastronômicas do mundo. Coloquei uma roupa decente e fui para hall do hotel e fiquei ali um tempo interminável esperando por Maria Isis. Pude conversar com uma das “tias” da recreação e me abrir com ela. Ela me contou coisa sobre as mulheres. Me deitei no colo dela também. “Saí daqui menino! Não posso fazer carinho em hóspede.“ falou. “Pô não me rejeita. Já fui rejeitado hoje.“ eu disse. Ela riu e me contou algumas histórias sobre os hóspedes. No fim eu falei “Pô pergunta pra Maria Isis. ‘Cadê seu namoradinho?’ pra vê o que ela fala.”. Ela riu disse que ia pensar no meu caso.

Passaram os meus pais, os vizinhos, minha irmã, a bela vizinha de 14 aninhos e nada de Maria Isis. Disse que ia esperar ela pra jantar.

Era desesperador ficar ali esperando, mas eis que ela apareceu. Junto de sua família. Abordei ela no meio deles sem nem pensar que por um acaso ela tivesse contado a merda que eu fiz pra eles. “Eu queria conversar contigo.”. Ela disse para os pais que já ia jantar e ficou ali pra falar comigo, porém foi curta e grossa “olha eu não tenho nada pra falar com você. Você beijou aquela menina ridícula. Eu não tenho nada pra dizer”. Eu me surpreendi com o seu jeito seco e fiquei sem ter o que falar. Passou alguns segundos e ela disse “Posso ir jantar com a minha família?“. Acho que meus olhos marejaram pois ela me olhou de outra forma, mas mesmo assim seguiu seu rumo.

Ainda consegui serrar um cigarro antes de ir jantar. O infeliz fumava free, mas pra quem não tem nada e nem dinheiro para comprar um maço, um free estava de bom tamanho.

Logo acabei o cigarro. O atirei no chão e pisei em cima. Depois fui ver que tinha um cinzeiro coletivo para os fumantes próximo a mim. Mas estava tão transtornado que acabei deixando a bituca por ali mesmo. Caminhei arrastando os pés até o salão aonde estava acontecendo o jantar. Era imenso. Estava todo colorido na maior felicidade brega enquanto eu estava ali desolado, numa tristeza só. Peguei meu prato e me servi de comida italiana e árabe. Olhei para as mesas e todas estavam lotadas de famílias. A da minha família e vizinhos não tinha mais lugar vago. Peguei meu prato, minha bandeja, meu refrigerante e fui me sentar sozinho numa mesa. Mastigava devagar sem querer engolir a comida que estava ótima por sinal, mas com um gosto amargo de desilusão amorosa quando fui abordado por um par enorme de peitos. “E aí meu. Ta sozinho aí? Cadê a Maria Isis?”. Meus olhos lacrimejaram novamente, mas vi ali a esperança. Talvez a amiga dela a convencesse a parar e conversar comigo. Então exagerei no drama “Tô na merda. Eu fiz merda na verdade. Ontem ela foi dormir e eu fiquei até mais tarde e aí a Isadora veio e me beijou. Daí hoje ela foi lá e contou pra Maria Isis. Mas pô eu tô gostando dela pra caramba. Fiquei todos esses dias perto dela e nem um beijo sequer ela me deu e agora não quer mais falar comigo por causa disso.”. Ela me olhou como se eu fosse um filho da puta, mas ao mesmo tempo com dó desse filho da puta e disse “Eu vou trocar ideia com ela.”. Eu sorri e ela sorriu. Desejei um bom apetite e ela e seus peitos foram jantar com sua família. Terminei minha refeição ali sozinho. Demorei um tempão para jantar. Olhava algumas mesas que haviam casais em lua de mel. Os rapazes felizes da vida com sua amada ao lado e ficava tentando imaginar qual a história desses casais. Como eles se conheceram? Será que sempre foram felizes? Será que já rolou umas merdas pelo caminho? Enfim, me cansei de ver a felicidade dos outros e resolvi me retirar do recinto.

Ao sair desci pelo corredor sentido ao hall do hotel. Não sabia ao certo para aonde eu iria. Só queria andar e andar por aí. Talvez eu fosse conversar com a lua. “Ei você ainda quer conversar?”. Ouvi uma voz e pensei “É você lua?” mas quando me virei percebi que era o satélite do meu coração. Ela que ilumina as minhas noites. “Claro” eu respondi. Vi ao fundo a garota dos peitões. Sorri para ela em agradecimento.

Maria Isis saiu andando e fui indo atrás dela. Ela andou bastante sem dizer uma só palavra e eu fui indo atrás. Do nada ela parou num lugar escuro, ao meio de vários chalés. Ainda assim seus olhos cintilavam com o luar que passava por entre os galhos das árvores. Ficamos nos olhando por algum tempo. “E aí… não vai falar nada?“ ela perguntou. Na verdade eu não tinha pensado em nada para falar e nem sabia o que dizer “Eu tô gostando de você. Eu quero ficar contigo.”

Ela me olhou com desconfiança “Mas então por que você beijou aquela menina ridícula?”.

“Mas foi ela quem me beijou.” Me defendi. “Mas você aceitou.”

Resolvi abrir o leque da sinceridade. Na verdade eu não resolvi nada, foi livremente espontâneo. Mas nada como a sinceridade para ganhar a confiança de uma mulher. Por mais que isso soe redundante. “Aceitei, claro. A mina veio me beijar. Eu ia fazer o que? Só quero que você lembre que minutos antes você recusou meu beijo.”.

“Mas é só isso que você quer? Me beijar e pronto?”. Mulher sempre precisa de comprovação. Mesmo ela sabendo que o cara está na dela.

“Claro que eu quero te beijar! Meu eu tô desde sábado a noite junto de você. Passamos o domingo inteiro grudados. Mesmo tendo acontecido o que aconteceu ontem, hoje eu nem olhei pra cara daquela mina porque eu quero você. Fiquei do teu lado mesmo depois de ela ter te contado o que aconteceu e você ter virado as costas pra mim sem nem deixar eu me explicar. Fiquei te olhando dançar, te esperei pra jantar, fui atrás de você pra gente conversar…. tu acha que eu quero o que contigo?”

Ela passou a mão pelos cabelos e disse um “tá…” bem baixinho.

“’Tá’? ‘tá’ de ‘tá bom’? Eu posso te abraçar e te dar um beijo agora?” e já fui abraçando ela. “Calma, peraí” disse fugindo com a cabeça para trás, mas já em meus braços. “Tá bom.” Disse ela e me beijou.

Enfim… padecendo no paraíso.

Aquele beijo durou alguns meses. Eu nunca mais viverei uma história de amor na juventude, muito menos com uma garota que conheci no grupo dos jovens de um hotel fazenda. Também nunca poderei mudar o que aconteceu depois desse beijo até os dias de hoje. Mas nunca mais me esquecerei dela e nem do sabor do seu beijo, nem do calor do seu abraço e muito menos do brilho que pairava pelo seu olhar quando estava sob o luar. Guardei uma foto nossa de recordação. De vez em quando eu dou uma olhada nela.

Tive de apagar um comentário que postei no facebook pois dois amigos ficaram chateados comigo. Chateados de verdade, chegando até a me xingar. Não tenho culpa se a carapuça serviu.
Mas esses amigos eram amigos mesmo! De verdade. Só amigos, sem classificação alguma. Daqueles que a gente larga tudo que está fazendo e se mete na maior roubada por eles. Daqueles que fazem a gente frequentar pagodes e funks só para estarmos juntos deles. Daqueles que a gente comparece numa peça de teatro de escola da pior qualidade só para vermos seus olhos brilharem ao nos darem um abraço na saída do espetáculo, felizes com a nossa presença.

Eu gostava tanto deles que me senti culpado pelo que escrevi, mesmo sendo o meu pensamento mais real e verdadeiro. Me lembrei então que uma vez conversava com meu amigo Diego Chilio, que também é um desses amigos sem classificação, e ele disse que eu era falso com ele pois eu não me abria, não falava o que eu sentia. E eu dei de ombros pois sabia que de certa forma ele tinha razão. E eu preferia ser falso com os meus amigos. A verdade dói e nenhum amigo merece isso. Amigos merecem mentiras. “Mentiras sinceras” como as de Cazuza.

Porém nem sempre eu fui assim. A verdade já me custou muito na vida. Já perdi amigos e algumas mulheres por causa das verdades. Algumas mulheres por causa das mentiras, que depois de um tempo viraram verdades. Mas outro dia ouvi uma frase muito boa: “Eu não minto, eu camuflo a verdade.”

Desde então resolvi que minha vida ia ser na mentira, assim como a de João Grilo. Só que eu não sou João Grilo e nenhum personagem de livro. Estou na vida real e controlar o nosso psicológico é muito difícil. Eu sempre tentei não esperar muito de ninguém, nem dos meus amigos. Mas devo confessar que às vezes a vida vira uma merda tremenda e eu começo a me afundar numa crise existencial e tudo foge do controle. Frases que algumas pessoas me disseram começam a martelar na minha consciência. Frases verdadeiras de pessoas que gostavam de mim de verdade. Como por exemplo: “Você vai no aniversário de todos os seus amigos, vai em tudo que todo mundo chama. Quero ver se todo mundo vai quando você chamar”.
Essas frases começaram a me sufocar e a me jogar contra outras pessoas que eu gostava. A vida virava um julgamento eterno. Esses dias mesmo uma amiga que estava dividida entre dois irmãos, dizia que tinha ficado com um deles, mas que numa reunião de amigos acabou trocando carinhos com o mais velho deles e ficou com vontade de beija-lo. Pediu minha opinião e eu soltei o caminhão sem freio. A resposta dela foi a seguinte: “Não dá pra falar sério contigo”.

Frequentemente entro num conflito comigo mesmo se devo falar sério com as pessoas ou se devo ser o sujeito engraçado que todos esperam que eu seja. Mas às vezes reclamam que eu nunca falo sério, e quando eu falo sério as pessoas dizem isso.

Bom, já me perdi nos pensamentos, então vamos aos fatos. Uma mulher que muito admiro me convidou para produzir uma sessão de meditação no espaço que ela possuí perto de minha casa. Aceitei na hora. Porém quando comecei a convidar os amigos me deparei com algumas respostas interrogativas iguais: “Tem que pagar?”. Isso me incomodou bastante e cheguei a comentar a tal mulher que eu admirava, que me disse: “É complicado. É sempre difícil produzir essas coisas. As pessoas preferem gastar dinheiro no bar do que na busca do autoconhecimento”. Compartilhamos dessa tristeza juntos, mas rimos quando eu propus uma “meditação open bar”.
Essa semana andei convidando meu pessoal para uma mostra de cinema de curta-metragem onde será exibido o Pise Fundo Meu Irmão que eu dirigi. E também para uma exposição de algumas fotos de minha autoria. Uma boa porcentagem das pessoas que eu perguntava se estavam afim de comparecer respondiam interrogativamente: “Tem que pagar?”. Comecei a ficar com vontade de responder impropérios como “Não, tem só que chupar meu pau quando estiver passando meu filme ou depois de olhar a minha foto”. Acho que meus amigos nunca assistiram Chaves para aprender que é falta de educação responder uma pergunta com outra pergunta.

 

Resolvi desabafar no muro das lamentações. Postei um pequeno texto no facebook:

“ Você convida o pessoal pra ir numa exposição, para assistir uns filmes numa mostra de cinema ou para meditar e o cabra responde: “Tem que pagar?“.

As pessoas só querem gastar dinheiro com cigarros e bebidas.”

Alguns segundos depois de eu ter destilado a minha verdade comecei a receber mensagens de um amigo me chamando de filho da puta e dizendo que fazia o que ele quisesse com o dinheiro dele e que não iria comentar a porra do post. Fiquei muito triste com isso e me senti culpado por a carapuça ter servido nele. Ele era muito meu amigo. Não tinha escrito diretamente a ele, mas ele se sentiu julgado. Tentei ligar e ele não me atendeu. Mandei mensagens pedindo desculpas e dizendo que eu amava ele, que ele era meu brou.
Alguns segundos depois mais uma mensagem de uma amiga dizendo que eu era ridículo e que eu vivia propagando que a arte deveria ser de graça. Não sei de onde ela tirou isso. Mesmo porque eu trabalho com arte e quero ter o devido reconhecimento e receber por isso. Claro que um show de graça bancado pelo governo é super válido, mas pagamos impostos para que a maioria desses shows abertos aconteçam. Então nem tudo que é de graça, saiu barato. Mas como estou cansado de discutir política e nem sei o bastante para ficar falando. Talvez tenha até escrito merda aqui. Mas voltando a minha amiga. Li aquela mensagem meio indignado e só pude responder: “Eu paguei pra ir na sua peça de teatro”.

 

Mas comecei a ficar com medo de magoar alguns amigos e resolvi apagar o que havia escrito do facebook. As pessoas não estão preparadas para a verdade. Talvez da próxima vez que eu me encontrar com meu amigo Diego Chilio eu consiga lhe explicar porque eu sou falso com ele e com todos os meus amigos. Acho que vou voltar para a minha vida de mentiras pois a verdade não me leva a nada. Talvez eu deixe de escrever, pois eu só consigo escrever verdades. Às vezes eu penso se um dia terei de escolher entre os meus amigos e mulheres ou a minha carreira de escritor.

 

Sabe de uma coisa. To cagando pra todo mundo. Vou pro bar sozinho gastar meu dinheiro em bebidas e cigarros e descolar mais uma história pra contar.

VITOR – E ae!

PÂMELA – Hey

V – Ho! Let’s go!

P – Let’s nessa!

V – Qual o moio?

P – Qual o pé do frango?

V – O que me diz? Nada pro nariz? O que me conta? Nenhuma ponta?

P – Deixa eu brincar de ser feliz. Deixa eu morder o seu nariz. Qual é? Qual foi? Por que que tu tá nessa?

V – Que o que o que rapá?

P – Pau que nasce torto nunca se indireita.

V – Pau que nasce torto mija fora da bacia. E menina que requebra não requebra com a cabeça. Dududududud bah tchan!

P – Ela tá dançando e o pimpolho tá de olho.

V – Cuidado com a cabeça do repolho.

P – Quanta merda! Meu mal é o sono e o seu?

V – Vou escrever no meu blog. O nome do texto vai ser “Conversas com Pâmela Galvão”

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